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07 de julho de 2019, 16h02

Vazamento da Lava Jato foi seletivo até com a Venezuela

Procuradores ajudaram a vazar informações sobre financiamento sobre a campanha de Maduro, mas se omitiram em dizer que também houve financiamento da Odebrecht para oposição

Reportagens do site The Intercept e da Folha de S. Paulo publicadas neste domingo (7) mostram que o ministro Sergio Moro e os procuradores da Lava Jato vazaram informações sobre financiamentos de campanha pela Odebrecht para políticos na Venezuela. Somente a informação sobre os depósitos feitos para Nicolás Maduro foi divulgada, quando a oposição ao governo venezuelano também recebeu repasses da empresa brasileira.

De acordo com as mensagens contidas nas matérias, o grupo da Lava Jato sabia que o vazamento dessas informações era ilegal. Mesmo assim o fez, e de forma seletiva. O conteúdo foi dado a ex-procuradora-geral da Venezuela Luísa Ortega Díaz e ela publicou em seu blog vídeos mostrando o depoimento do ex-diretor da Odebrecht no país Euzenando Azevedo, onde ele diz ter repassado 35 milhões de dólares para a campanha eleitoral de Maduro.

Porém, em sua confissão, Azevedo também diz ter dado 15 milhões de dólares para a campanha do candidato da oposição, Henrique Capriles. Esta parte do depoimento não está nos vídeos expostos pela ex-procuradora venezuelana.

Os procuradores da Lava Jato sabiam que a revelação destes fatos poderia ocasionar uma convulsão nacional dentro da sociedade venezuelana, tendo até a possibilidade de guerra civil. Mesmo assim, se dispuseram a manipular a opinião pública do país vizinho como mostra as mensagens divulgadas pelo The Intercept e pela Folha de S. Paulo.


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