Fórum Educação
22 de fevereiro de 2020, 14h32

Vereador pede censura a livro didático por conter “apologia à ideologia de gênero”

O pastor Ezequiel Bueno (PRB-PR) ficou conhecido em 2017 por ameaçar prender Pabllo Vittar a partir de uma fake news

Pastor Ezequiel (Foto: Câmara dos Vereadores de Ponta Grossa)

O vereador de Ponta Grossa (PR), pastor Ezequiel Bueno (PRB-PR), enviou um ofício ao governador do estado, Ratinho Jr., solicitando a censura do uso de um livro didático de Ciências nas escolas estaduais. De acordo com o vereador, o livro faz “apologia à ideologia de gênero” por abordar questões como identidade de gênero, orientação sexual e afetiva, sexo biológico e expressão de gênero.

Em discurso na Câmara dos Vereadores de Ponta Grossa na última quinta-feira (20), o pastor disse ser contra a educação sexual nas escolas e alegou que esta é uma responsabilidade dos pais.

“São crianças, adolescentes e pré-adolescentes que têm que ser preservados. Mas, lamentavelmente, a apostila está aqui, um livro de oitava série. Pra mim, esse assunto tinha sido encerrado na nossa cidade. Isso é papel do pai e da mãe, não da escola. Novamente, essa situação. E com um governo federal que é totalmente contra essa situação”, disse.

Em nota, a Secretaria da Educação informou que ainda não recebeu o ofício e explica que o ensino de educação sexual nas escolas está previsto nas Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental.

“A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) propõe o debate de questões que envolvem puberdade, eficácia de métodos contraceptivos e as ISTs, bem como a sexualidade humana”, diz um trecho da nota.

Pabllo Vittar

O pastor Ezequiel já acumula polêmicas envolvendo a temática de gênero e sexualidade. Em 2017, ele ameaçou prender Pabllo Vittar alegando que a artista, em parceria com o ex-deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ), fariam uma turnê pelas escolas do Brasil “ensinando as crianças sobre diversidade sexual”. Contudo, tratava-se de uma fake news que foi desmentida pelo próprio deputado.

Na época, o vereador foi contra shows de Pabllo Vittar em Ponta Grossa e, durante discurso na Câmara Municipal, disse que a cidade não poderia receber a artista por ser “de família e conservadora”.


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