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04 de junho de 2018, 20h26

Victor Farinelli: Eleição de Tocantins chama a atenção pela alta abstenção e o significado disso

Enquanto o pessoal fica discutindo se a Kátia "Motosserra" Abreu é de esquerda ou de direita, a principal lição dessa mui estranha eleição em Tocantins é o altíssimo nível de abstenção, talvez recorde neste país, onde o voto é obrigatório. Lição para a esquerda, principalmente

Voto: Reprodução/Wikimedia Commons

Por Victor Farinelli*

Enquanto o pessoal fica discutindo se a Kátia “Motosserra” Abreu é de esquerda ou de direita, a principal lição dessa mui estranha eleição em Tocantins é o altíssimo nível de abstenção, talvez recorde neste país, onde o voto é obrigatório. Lição para a esquerda, principalmente.

Quando os meios hegemônicos de comunicação insistem no discurso de desprestígio da política – sobretudo através das celebridades “despolitizadas” – estão visando os mais pobres e insatisfeitos com o governo de turno. Afinal, aqueles que ganham (pouco ou muito) com a atual conjuntura são conscientes de que precisam votar para manter tudo como está.

Aliás, esse mantra antipolítico não é exatamente o que parece, porque nem quem o defende quer o fim de nada, e sim controlar a democracia – para, assim, controlar a política. Seu efeito antidemocrático é justamente o de convencer as pessoas mais afetadas com os erros da política de que a via de transformar essa política equivocada não vai mudar em nada a vida delas, e isso distorce o resultado eleitoral. Num cenário de avacalhação institucional como o que nós vivemos, vender essa ideia é ainda mais fácil.

Quem quiser derrotar o projeto do golpe pelo caminho das urnas precisa ter o antídoto para esse discurso, e saber como distribui-lo ao menos para o seu eleitorado.

*Victor Farinelli é jornalista


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