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19 de fevereiro de 2019, 06h56

Vídeo divulgado por Bolsonaro foi exigência de Bebianno ao deixar o cargo

Durante as negociações para que Bebianno deixasse o cargo, Bolsonaro ofereceu a ele uma diretoria em Itaipu ou a embaixada de Roma. João Doria (PSDB) e Wilson Witzel (PSC) também ofereceram abrigo para o ex-aliado do capitão, que recusou as ofertas

Reprodução/Twitter

Reportagem de Josias de Souza nesta terça-feira (19), em seu blog no portal Uol, diz que o vídeo gravado por Jair Bolsonaro (PSL) com elogios ao exonerado secretário-geral da Presidência foi uma exigência de Gustavo Bebianno (PSL), que teria negociado “minuciosamente” cada fala do presidente.

Leia também: Bolsonaro grava vídeo com elogios a Bebianno: “Continuo acreditando em sua seriedade”

Segundo o jornalista, na negociação com o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM/RS), Bebianno esclareceu que não aceitaria calado a “humilhação” de ser exonerado sob as pechas de desleal, incompetente e corrupto e teria exigido algo que se aproximasse de um pedido de desculpas.

No vídeo, um Bolsonaro engessado, claramente lendo um discurso projetado em teleprompter, diz que tem que “reconhecer a dedicação e comprometimento do senhor Gustavo Bebianno à frente da coordenação da campanha eleitoral em 2018”. “Seu trabalho foi importante para o nosso êxito. Agradeço ao senhor Gustavo pelo esforço e empenho quando exerceu a direção nacional do PSL. E continuo acreditando na sua seriedade e qualidade de seu trabalho. Reconheço também sua dedicação e esforço durante o período em que esteve no governo”.

Negociação de cargos
Durante as negociações para que Bebianno deixasse o cargo, Bolsonaro ofereceu a ele uma diretoria em Itaipu ou a embaixada de Roma.

Em entrevista no sábado, Bebianno confirmou que recebeu a proposta para Itaipu. Afirmou que não aceitou porque não apoiou Bolsonaro “para ganhar dinheiro” e “nem precisa de emprego”.

Já a proposta da embaixada em Roma foi levada a Bebianno no sábado pelo ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM), após um encontro que teve com o presidente no Palácio da Alvorada. O convite também foi recusado pelo ministro.

Bebianno também teria recusado cargos nos governos de João Doria (PSDB), em São Paulo, e de Wilson Witzel (PSC), no Rio, que se ofereceram para abrigar o ex-aliado de Bolsonaro.

Crise
Alvo de denúncias que o apontam como responsável por um esquema de candidatos laranjas na campanha eleitoral do PSL, Gustavo Bebianno foi fritado pelo vereador Carlos Bolsonaro, filho do presidente, que disse nas redes sociais que o agora ex-ministro mentiu ao falar que havia conversado três vezes com o presidente na última terça-feira (12).

O agora ex-ministro, em meio à crise, chegou a dizer que Bolsonaro era uma “pessoa louca” e que, se caísse, cairia “atirando”. O general Floriano Peixoto substituirá Bebianno no cargo.

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