Fórum Educação
08 de outubro de 2019, 06h49

Weintraub e irmão tentaram interditar pai que foi professor da USP e defendeu descriminalização da maconha

No processo, os irmãos declaravam que Mauro Weintraub era incapaz de exercer certos atos da vida civil por apresentar "patologia". O juiz responsável negou a interdição

Irmãos Weintraub. (Foto: Reprodução)

Em 2011, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, e seu irmão, Arthur, tentaram interditar o pai na Justiça de São Paulo. No processo, os irmãos declaravam que Mauro Weintraub, professor da USP e psiquiatra, era incapaz de exercer certos atos da vida civil por apresentar “patologia”. Mauro sustentava diversos ideais diferentes dos filhos, como a descriminalização da maconha. Lançou um livro em 1983 chamado “Sonhos e Sombras: a Realidade da Maconha”, publicação que é até hoje citada em diversos artigos científicos sobre drogas.

Em 2014, o pedido dos irmãos Weintraub foi julgado pelo juiz Rui Porto Dias, da 3ª Vara da Família e Sucessões. Ele negou a interdição alegando que não havia elementos suficientes para declarar Mauro Weintraub incapaz. “Os requerentes não lograram êxito quanto à comprovação da incapacidade de seu pai para os atos da vida civil e nem apresentaram qualquer evidência da patologia que alegaram acometê-lo”, sentenciou o juiz.

Apesar do processo de interdição, houve um momento, no entanto, que Abraham Weintraub foi empático com o histórico de seu pai. Em 2014, o ministro escreveu em e-mail a um grupo de alunos e professores da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), na qual é professor, contando que seu pai foi perseguido pela ditadura militar e criticou os “donos do poder” do regime. No entanto, passados apenas cinco anos desse e-mail, Weintraub hoje trabalha para um governo que celebra o golpe de 1964 e diz que período “salvou o país” do comunismo.

“Nosso pai médico [Mauro Weintraub] foi professor da USP durante o regime militar. Ele nunca foi militante, porém, após ‘sumirem’ alguns de seus alunos, fez comentários depreciativos à ditadura”, relatou na mensagem. “Na semana seguinte havia um jipe da Aeronáutica em frente à nossa casa procurando-o. Nosso pai teve que se esconder por um bom tempo na casa de um amigo com imunidade diplomática. Vários livros em casa sumiram e eu cresci com medo em comentar aspectos negativos dos ‘donos’ do poder”, escreveu o ministro em 2014.

A mensagem é uma resposta a uma acusação de nepotismo enviada no grupo de email da universidade em outubro de 2014. Remetida por “Marina Unifesp”, a mensagem original chamava atenção para o fato do atual ministro, e também seu irmão Arthur Weintraub e sua mulher, Daniela, trabalharem na mesma faculdade. A mensagem falava em fraude em concurso.

Com informações do UOL.


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