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09 de junho de 2020, 09h01

Weintraub fala em liberdade de expressão ao ser processado, mas processa quem o critica

A Revista Fórum está entre os veículos processados pelo ministro, que usou advogados pagos pelo MEC para intimidação. Há ao menos sete processos por dano moral, calúnia ou difamação

O ministro da Educação, Abraham Weintraub (Foto: Reprodução)

Clamando por liberdade de expressão ao enfrentar as consequências de ataques ao Supremo Tribunal Federal e à China, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, processa jornalistas e comunicadores, como o youtuber Felipe Neto, que publicaram reportagens ou comentários que o desagradaram. A Revista Fórum está entre os veículos processados pelo ministro, que usou advogados pagos pelo MEC para intimidação. Há ao menos sete processos por dano moral, calúnia ou difamação movidos pelo ministro.

Weintraub tem histórico de ataques nas redes sociais; o PT, a imprensa e a esquerda são alvos constantes, mas qualquer um que discorde dele é xingado, exposto e bloqueado. Mas ele conseguiu se colocar no centro da crise política depois do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, no qual aparece defendendo prisão para “esses vagabundos”, a começar pelo STF.

As imagens vieram à tona com muito custo após o ex-ministro da Justiça Sergio Moro denunciar interferência do presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal.

Nessa mesma reunião, Weintraub disse odiar os termos “povos indígenas” e “povo cigano”, o que lhe rendeu questionamentos do Ministério Público Federal. O ministro da Educação já havia feito, em seu twitter, comentários em forma de piada sem graça considerados racistas sobre a China e os chineses.

Uma postagem que já foi apagada, feita no início de abril, levou a abertura de inquérito no STF após solicitação da PGR (Procuradoria-Geral da República). Weintraub é o primeiro ministro de Bolsonaro a ter uma investigação pedida pelo órgão comandado pelo procurador-geral, Augusto Aras.

Ao reagir às investigações e oitivas agendadas pela PF, Weintraub usou pelas redes sociais o argumento da liberdade de expressão e até trocou a imagem de seu perfil no Twitter por um desenho de seu rosto com mordaça vermelha. no último dia 2.

“Prestei depoimento à PF, em respeito à polícia. Fui muito bem recebido pelo diretor-geral Rolando [Alexandre de Souza] e por toda sua equipe. Agradeço especialmente a você, que me apoia na luta pela liberdade!”, escreveu em seu perfil no dia 4. Weintraub falou à PF no âmbito do inquérito que investiga o racismo.

Além da Revista Fórum e do Brasil 247, o ministro também entrou com ação cível contra o jornal Valor Econômico depois da reportagem sobe declarações dele durante evento do MEC. Outro processo criminal é movido contra a repórter que assina a reportagem. Ele também entrou com ação contra o professor Paulo Ghiraldelli Junior, após publicação de crítica ao ministro. Esses processos correm em São Paulo.

Outro processado é o youtuber Felipe Neto, depois de publicações que classificaram o ministro como “vagabundo” e “imbecil”. O processo contra Neto corre na Justiça do Rio de Janeiro.

“Confesso que, assim que li a inicial do processo, minha primeira reação foi dar risada. Ali estava o ministro da Educação, que posta publicamente a opositores no Twitter frases como: ‘Prefiro cuidar dos estábulos, ficaria mais perto da égua sarnenta e desdentada da sua mãe’, me processando por chamá-lo de imbecil e dizer que ele não sabe escrever”, disse Felipe Neto.

Até abril passado, quando Weintraub completou um ano como ministro da Educação, 42% das suas postagens no Twitter continham algum tipo de ataque.


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