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20 de janeiro de 2020, 15h26

Witzel chama crise da água no Rio de ‘sabotagem’ para prejudicar privatização da Cedae

"Eu acredito que o que está sendo apurado é uma sabotagem por conta do leilão. Há muitos interesses envolvidos", afirmou o governador, defensor da privatização da Cedae

Pastor Everaldo e Wilson Witzel | Foto: Divulgação/PSC

Depois de manter o silêncio por onze dias em meio à crise no abastecimento de água no Rio de Janeiro, o governador Wilson Witzel voltou a comentar nesta segunda-feira (20) sobre o assunto e afirmou que desconfia que houve sabotagem com o objetivo de prejudicar o leilão da companhia de águas do estado, a Cedae, que o governador pretende privatizar.

“Eu desconfio que houve uma sabotagem, exatamente para manchar a gestão eficiente que está sendo feita na Cedae preparando ela para o leilão”, declarou o governador em entrevista coletiva. Ele não detalhou como teria ocorrido essa “sabotagem”, que segundo ele teria sido a responsável pela distribuição de água com gosto de terra, coloração barrenta ou com aspecto de suja e com forte odor.

“Houve, de fato, uma imperícia. Agora vamos apurar se foi dolosa ou culposa. Se quem deveria tomar conta para evitar que o que está acontecendo agora, no verão e nas férias, acontecesse foi simplesmente um fato culposo. Ou seja, incompetência. Eu, particularmente, não acredito. Eu acredito que o que está sendo apurado é uma sabotagem por conta do leilão. Há muitos interesses envolvidos”, afirmou ainda Witzel.

Sucateamento da Cedae

A Cedae, que já foi dominada por indicações do deputado federal Eduardo Cunha, hoje está sob forte influência de Pastor Everaldo. Everaldo, que concorreu à presidência nas eleições de 2014, é o presidente nacional do PSC, partido de Witzel. Ele teria indicado o atual presidente da companhia, Hélio Cabral, e determinado mais de 50 demissões.

Witzel se eximiu da responsabilidade sobre a situação da Estação de Tratamento (ETA) do Guandu. “Nós estamos trabalhando para resolver o problema. O que aconteceu até agora foi uma grande falha de previsão e manutenção, mas não se pode esquecer que, há décadas, faltam investimentos na Estação de Tratamento (ETA) do Guandu, que superam R$ 30 bilhões. Não podemos fazer esse investimento com o Estado quebrado como recebemos”, afirmou.

A poucos metros da estação, que abastece 9 milhões de pessoas, vivem mais de 1 mil moradores. Todo o esgoto produzido por eles é despejado in natura na lagoa artificial de onde a estatal capta a água que, após tratamento, será distribuída para a população.

Na última quarta-feira, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) publicou uma nota e um relatório técnico afirmando que a culpa pela crise não pode ser atribuída apenas à Cedae, mas também à gestão estadual e às prefeituras. “A vigilância da qualidade da água é de responsabilidade do setor da Saúde (Ministério da Saúde, Secretarias Estaduais e Municipais da Saúde), que deve garantir a segurança e qualidade da água a ser distribuída para a população”, disse a reitoria da UFRJ ao compartilhar estudo elaborado por pesquisadores da universidade.


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