Witzel deixa a CPI e Randolfe quer novo depoimento

Após bate-boca com senador Jorginho Mello, vice-líder do governo Bolsonaro no Congresso, ex-governador do Rio de Janeiro decidiu utilizar o habeas corpus do ministro Nunes Marques do STF e se retirou da comissão

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) disse que irá solicitar à presidência da CPI da Covid um novo depoimento do ex-governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel. “Acreditamos que o ex-governador ainda tem muito a falar e não podemos deixar o relatório da CPI ser atingido por interferência e intimidações externas”, disse Rodrigues no Twitter.

Witzel prestou depoimento nesta quarta-feira (16), mesmo tendo um habeas corpus concedido pelo ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele disse que iria porque há “muito e muitos a serem investigados.”

Mas decidiu utilizar o seu direito no meio do depoimento e a sessão da comissão foi encerrada. A saída de Witzel se deu após bate-boca com o senador Jorginho Mello (PL-SC), bolsonarista e vice-líder do governo no Congresso.

Mello acusou Witzel de “envergonhar a magistratura e a população do Rio de Janeiro”. Afirmou ainda que o ex-governador fez uma “lambança” quando chegou ao poder.

Witzel, em seguida, acusou Mello de estar fazendo acusações levianas contra ele. Durante o depoimento, Witzel afirmou que sofreu uma perseguição judicial e que um dia a verdade vai aparecer. No depoimento, ele contou que corre risco de morte. “Você pode ter certeza, senador Renan, que eu corro risco de vida (SIC). Eu tenho certeza, porque a máfia da saúde no Rio de Janeiro e quem está envolvido por trás… tenho certeza que tem miliciano envolvido por trás disso. Eu corro risco de vida com minha família”, disse.

Ataques a Bolsonaro e Marielle Franco

Witzel disse que a omissão do governo federal a sua atuação negacionista devem ser julgadas não só no Brasil, como no Tribunal Internacional, e os responsáveis devem ser condenados.

Além de perseguição judicial, Witzel disse que passou a sofrer retaliação do governo federal após ser acusado de interferência na Polícia Civil do Rio de Janeiro por causa das investigações sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL).

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“A partir daquele momento, do caso Marielle, percebi que o governo federal e o próprio presidente começaram me retaliar. Tivemos dificuldade de conversar com ministros.”

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Dri Delorenzo

Jornalista, especializada em Meio Ambiente e Sociedade (FESPSP) e mestre em Comunicação Digital pela UFABC. É editora executiva da Revista Fórum.

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