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22 de agosto de 2019, 08h39

Witzel diz que não há como combater crime com livros e flores: “Tem de eliminar, tem de matar”

O número de civis mortos em operações policiais cresceu em todo o estado 15% em relação a 2018: de janeiro a julho, 1.075 pessoas foram mortas pela polícia, recorde absoluto

Wilson Witzel comemora a morte do sequestrador - Foto: Reprodução

O governador do Rio de Janeiro, criticado por comemorar a o assassinato, pelo Bope, do homem que manteve reféns em um ônibus, na Ponte Rio-Niterói, esta semana, não esconde de ninguém sua obsessão pela violência.

Em reportagem de Maiá Menezes e Thiago Prado, para a Época, ele disse: “Não há como combater crime com livros e com flores. A polícia tem de chegar para prender. Se não houver rendição, tem de eliminar, tem de matar”.

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O ex-fuzileiro de 51 anos reitera quase diariamente a eficiência de sua política de segurança pública, que mata sem pudor. Abusa de declarações truculentas proporcionalmente que sua polícia abusa da violência.

O número de civis mortos em operações policiais cresceu em todo o estado 15% em relação a 2018. De janeiro a julho, 1.075 pessoas foram mortas pela polícia, recorde absoluto. Dessas, 194 somente em julho, maior número em 21 anos.

Witzel faz questão de abrir para todos seus planos futuros. Fala em ser candidato à presidência da República e já afirmou, inclusive, que pretende encerrar a carreira pública como secretário-geral da ONU.

Em outra frase polêmica, diz: “Não sei se as balas perdidas são um efeito colateral da minha política, não. O que imagino é que os traficantes causam essas mortes para impedir o trabalho da polícia”.

Desafeto

Inimigo declarado de João Doria, Witzel, sempre que tem oportunidade, mostra aos amigos uma figurinha em seu Whatsapp, na qual aparece o governador de São Paulo com um nariz de Pinóquio,

Doria, que também pretende se candidatar à presidência, ironizou Witzel ao chamá-lo de Rambo. “Ele estava tentando me ridicularizar. Achei absolutamente desrespeitoso. O Doria já demonstrou que não é pessoa confiável. Disse que ia cumprir o mandato e na primeira oportunidade disputou a eleição”, relembra.

E faz uma previsão: “O Doria de amanhã é o Eduardo Paes de ontem. Será derrotado com larga margem. O povo não perdoa. Fui eleito com um discurso duro pela segurança. E o Doria já está mudando. Na cabeça dele, quer ir para o centro. Ele está querendo ser mais moderado. Eu não!”, afirma.

Bolsonaro

Apesar da semelhança em alguns aspectos com Jair Bolsonaro, Witzel faz críticas às declarações do presidente. “O que o Bolsonaro fala, eu não falaria. Sou um pouco mais preocupado com aquilo que tenho de expressar. Meio ambiente, por exemplo. Eu não falaria em fazer cocô dia sim, dia não, como o presidente fez. Até porque isso é simplesmente inexequível. É como editar uma medida provisória sobre o uso diário de banheiro. Bolsonaro anima as redes, e o Brasil não sai do lugar”, avalia.


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