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16 de fevereiro de 2018, 20h09

Zanin faz Youssef confessar que tinha ‘cláusula de sucesso’ para receber dinheiro na Lava Jato

O doleiro, primeiro delator da Lava Jato, disse em depoimento que tinha uma 'cláusula de sucesso' - ou seja, receberia, em dinheiro, parte dos recursos recuperados pela operação, compensação que, segundo ele, "abriu mão"; aditivos, no entanto, não constam nos autos. Youssef segue solto

Foto: EBC

O doleiro Alberto Youssef e Dalton Avancini, ex-executivo da Camargo Corrêa, prestaram depoimento nesta sexta-feira (16) em São Paulo pela ação em que Lula é réu, na Lava Jato, sobre o chamado “sítio de Atibaia”. O depoimento foi dirigido ao juiz Sérgio Moro, que os ouviu por vídeo-conferência.

No depoimento, o advogado de Lula, Cristiano Zanin Martins, conseguiu fazer com que Youssef confessasse que sua delação premiada é, literalmente, premiada. Respondendo a uma pergunta de Zanin, Youssef revelou que possui, junto ao Ministério Público, uma ‘cláusula de sucesso’ que o dá direito de receber 1/50 avos do patrimônio recuperado pela força-tarefa no Brasil e no exterior. Se a Lava Jato recuperasse R$2 bilhões, por exemplo, o doleiro teria direito a R$40 milhões. Pela cláusula, Youssef poderia ainda recuperar parte de seu patrimônio apreendido.

O que causou estranhamento ao advogado de Lula, diante da informação sobre a cláusula fornecida por Youssef, é que esses aditivos não constam nos autos disponibilizados à defesa. Diante da “pérola” pescada por Zanin, Moro deu prazo de 5 dias para que o MPF disponibilize esses aditivos nos autos.

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Tendo uma ‘cláusula de sucesso’ (que sequer constava nos autos), portanto, Alberto Youssef poderia estar, o tempo todo, direcionando suas delações de modo a “faturar” ainda mais. Se for levado em consideração o fato de que o doleiro é o primeiro delator da Lava Jato, pode-se concluir que a operação nasceu de um acerto financeiro entre o Ministério Público e um dos operadores dos crimes apontados.

Em tempo, cabe lembrar que o doleiro foi também o principal delator do escândalo do Banestado, cujo juiz era também Sérgio Moro.

Youssef foi preso pela primeira vez em 2014 e, com o início das delações premiadas, conquistou o regime semi-aberto. Agora, segundo ele, cumpre regime aberto.

Assista ao momento em que o doleiro fala sobre sua ‘cláusula de sucesso’.


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