Zé de Abreu: “Bolsonaro e Pazuello mostram a incapacidade do exército brasileiro”

Para o ator, presidente e ministro da Saúde "estão fazendo um bem imenso à história do Brasil, mostrando a verdadeira face dos militares”

Há um ano vivendo na Nova Zelândia, na cidade de Auckland, o ator Zé de Abreu vive uma realidade oposta à brasileira no país governado pela primeira-ministra trabalhista Jacinda Ardem. “Aqui não tem vírus ativo, já compraram 12 milhões de vacinas, mas disseram que não vão iniciar porque outros países precisam mais do que os neozelandeses que estão livres do vírus.” Ele contou como tem sido sua experiência no país em entrevista ao programa Fórum Onze e Meia, exibida neste sábado (23).

Enquanto isso, Zé de Abreu acompanha com preocupação a situação do Brasil, com mais de 215 mil mortos notificados pelo Ministério da Saúde e uma política institucional do governo Bolsonaro feita para “propagar o vírus”, conforme apontou estudo desenvolvido pelo Centro de Pesquisas e Estudos de Direito Sanitário da Faculdade de Saúde Pública da USP e pela organização não-governamental Conectas Direitos Humanos. Zé de Abreu conta que teve que procurar ajuda psicológica para não cair em depressão.  

“Nós estamos morrendo por uma asfixia psicológica, só que isso não bastou para o governo Bolsonaro, ele teve que mostrar a asfixia física, verdadeira, real, como um especialista em matar, um capitão de artilharia. Ele está realmente cumprindo sua especialidade não apenas nos matando psicologicamente, mas promovendo a morte física de mais de 200 mil brasileiros”, afirmou. “É tão simbólico as pessoas morrendo asfixiadas por falta de oxigênio.”

Para o ator, “Pazuello e Bolsonaro estão fazendo um bem imenso à história do Brasil, mostrando a verdadeira face dos militares”. Ele lembrou histórias da ditadura militar e a censura para cravar: “Os militares sempre foram energúmenos”.

“Eles estão mostrando a incapacidade total do exército brasileiro, todas as guerras do Brasil foram um fracasso. O bom do Bolsonaro, Pazuello, Guedes, Salles, entre outros, é estar revelando uma sociedade brasileira que a gente não conhecia.”

Abreugrafia

Zé de Abreu está finalizando sua biografia, que se chamará Abreugrafia. Ele contou que começou a escrever em 2015 em Paris, escreveu quase 900 páginas, que serão divididas em dois volumes. O primeiro trará as memórias antes da fama até 1980, quando ganhou o prêmio de melhor ator em Gramado, com o filme A intrusa, e a assinatura do primeiro contrato com a Globo. O segundo trará as lembranças da fase global. Já a militância política estará em um apêndice na obra, que será lançada em breve.

Assista à entrevista completa

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Dri Delorenzo

Jornalista, especializada em Meio Ambiente e Sociedade (FESPSP) e mestre em Comunicação Digital pela UFABC. É editora executiva da Revista Fórum.

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