Reginaldo Lopes

04 de junho de 2019, 18h44

Por uma nova agenda econômica

Em sua coluna de estreia, o deputado Reginaldo Lopes diz: “Se depender das medidas do governo federal, a tendência é de aprofundamento da crise econômica”

Foto: Reprodução

Uma nova agenda econômica e um novo pacto federativo são urgentes para a sobrevivência do Estado nacional. Os dados divulgados na semana passada pela pesquisa do IBGE comprovam a decadência do modelo econômico baseado no fundamentalismo fiscal. O PIB do 1º trimestre de 2019 caiu 0,2% na comparação com o 4º trimestre de 2018. O despreparo e a insensatez de Jair Bolsonaro na condução do governo levaram os agentes econômicos a inverterem uma expectativa favorável, comum no início de governo, agora substituída por um clima de pessimismo.

Se depender das medidas do governo federal, a tendência é de aprofundamento da crise econômica. A sua prioridade é a aprovação de uma reforma da Previdência, que pode tirar o direito de parte dos brasileiros se aposentar. A proposta é praticamente a destruição do modelo de seguridade social, que hoje é um importante instrumento de distribuição de renda. Querem tirar 900 bilhões de reais dos mais pobres e, como nossa economia é dependente do consumo de família, que representa 64% do PIB, isso significa mais um obstáculo para a retomada do crescimento econômico.

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Se o governo quisesse de fato enfrentar os privilégios que diz atacar na Previdência, a reforma debatida seria a tributária. Nosso modelo tributário é anacrônico. Quem paga imposto são os pobres e a classe média. É urgente mudar a composição da tributação, tornando-a mais eficiente e justa para aumentar a renda disponível de setores de baixa renda. Na outra ponta da pirâmide, instituir a taxação sobre lucros, dividendos e grandes fortunas. Ou seja, fazer finalmente com que os milionários brasileiros paguem impostos, pois não há justiça social sem justiça tributária.

O Brasil precisa também retomar uma ousada agenda de investimentos públicos em obras e infraestrutura, estratégicos para a retomada do crescimento econômico. Infelizmente, o que o governo Bolsonaro defende e pratica é o contrário. Inútil falar em investimentos públicos com um governo que criou a inusitada Secretaria da Desestatização e ‘Desinvestimento’, que, aliás, é ocupada por um mineiro.

O campo educacional deve retomar seu ciclo de investimentos para qualificar o país em ciência e tecnologia e ajudar a reverter o processo de desindustrialização do Estado. O IBGE acaba de afirmar que a nossa indústria voltou à época pré-Vargas, representando míseros 11,2% do PIB. Na contramão desta necessidade, Bolsonaro elegeu a educação brasileira como principal inimiga e praticou um corte generalizado de verbas no setor.

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Apesar dos pesares, a esperança mora nos corações e mentes dos milhões de estudantes, professores, brasileiros que caminharam em manifestações nos últimos dias. A luta que eles defendem é muito maior do que os cortes na educação que denunciam. Estão nas ruas para garantir o nosso futuro e para provar que o Brasil é mais forte que este governo. É nesse Brasil que acredito.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.