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24 de junho de 2019, 12h47

PSL aproveita fundo que critica, ganha novas sedes e faz evento em hotel de luxo

Bolsonaro e líder do partido no Congresso são contra existência do fundo partidário; PSL deve receber R$ 737 milhões nos próximos quatro anos

Bancada do PSL eleita em 2018 foi responsável por nova fase financeira da sigla (Arquivo/Governo de Transição)
O PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, vem aproveitando a vida de novo rico gerado pelo antes criticado fundo partidário. Por causa do bom desempenho nas eleições do ano passado, quando elegeu 52 deputados federais e 4 senadores, na esteira do bolsonarismo e anti-petismo, o partido deve receber nos próximos quatro anos R$ 737 milhões de fundos públicos segundo Sérgio Roxo, para o jornal o O Globo. O dinheiro extra em caixa vem sendo usado para alugar novas sedes e reforçar o quadro de funcionários. A pujança ficou evidente no último dia 10, durante a cerimônia de posse do deputado...

O PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, vem aproveitando a vida de novo rico gerado pelo antes criticado fundo partidário. Por causa do bom desempenho nas eleições do ano passado, quando elegeu 52 deputados federais e 4 senadores, na esteira do bolsonarismo e anti-petismo, o partido deve receber nos próximos quatro anos R$ 737 milhões de fundos públicos segundo Sérgio Roxo, para o jornal o O Globo.

O dinheiro extra em caixa vem sendo usado para alugar novas sedes e reforçar o quadro de funcionários.

A pujança ficou evidente no último dia 10, durante a cerimônia de posse do deputado federal Eduardo Bolsonaro (SP) como presidente do diretório regional de São Paulo. O evento para cerca de 400 pessoas aconteceu no luxuoso Hotel Renaissance, nos Jardins, bairro nobre da capital paulista.

Até 2018, o partido não tinha dinheiro nem para alugar uma sede em São Paulo. De acordo com o senador Major Olímpio, que presidia o diretório paulista, o partido só conseguia ter um local porque o empresário Alexandre Giardino emprestava uma sala.

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Apesar disso, é do próprio Olímpio a autoria de um projeto de lei apresentado em fevereiro deste ano que extingue o fundo partidário, criado em 2017. O projeto foi apresentado pouco depois da revelação do escândalo dos candidatos ‘laranja’ do PSL. Na semana anterior o então ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gustavo Bebianno, caiu após a revelação do esquema para desviar verba pública eleitoral.

Enquanto o diretório comandado por Eduardo Bolsonaro procura agora uma nova sede, o diretório nacional, comandado por Luciano Bivar, pivô no esquema dos laranjas, já possui novo endereço. Desde fevereiro, a legenda paga R$ 28 mil por mês por um andar em um dos complexos empresariais mais nobres de Brasília. A Fundação de Inovação e Governança, braço teórico do partido, gasta mais R$ 16 mil por um outro andar no mesmo prédio.

No ano passado, o PSL recebeu R$ 8,3 milhões do fundo partidário, verba distribuída para as legendas com base na votação obtida para a Câmara dos Deputados. Este ano deve ficar com cerca de R$ 105 milhões. A sigla foi de um deputado eleito em 2014 para 52 em 2018. Crítico do fundo, Bolsonaro afirma não ter utilizado sua verba nas eleições à presidência.

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O pesquisador Bruno Carazza, autor do livro “Dinheiro, eleições e poder”, calcula que o partido terá um total R$ 737 milhões para receber dos cofres públicos até 2022. Além dos repasses do fundo eleitoral, as siglas também contam com as verbas do fundo partidário.

O PSL deve receber R$ 40 milhões a mais do que o PT, segundo partido mais beneficiado, que ficará com R$ 694 milhões. Cabe aos próprios partidos definir como repassar os recursos para os diretórios estaduais.

Como consequência do maior montante de recursos a serem administrados, Bivar decidiu profissionalizar o posto de tesoureiro nacional da legenda. José Tupinambá Coelho, ex-diretor da seguradora Excelsior, companhia que tem o presidente do partido como acionista, será o novo diretor financeiro do PSL. Até o ano passado, Coelho exercia a função sem remuneração, acumulando com o trabalho na seguradora.

O presidente do partido não revela quanto Coelho irá receber, mas diz que o valor será compatível ao pago pelo mercado. O PSL, porém, não pretende remunerar os membros de sua Executiva, como faz, por exemplo, o PT.

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Além do diretor financeiro, a sigla tem contratado, de acordo com Bivar, funcionários para a sede nacional e para os diretórios estaduais que estão impedidos de registrar empregados por causa de problemas com prestações de contas.

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