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18 de junho de 2019, 09h15

PT não deverá centrar audiência de Moro no Senado em processo de Lula

A percepção, de acordo com o Painel, da Folha, é de que nem todos os senadores que se incomodaram com as denúncias do The Intercept Brasil são a favor de mudanças no caso que levou o ex-presidente à prisão

Foto: Reprodução/TVT
As assessorias do PT na Câmara e no Senado têm orientado seus parlamentares para que evitem fulanizar em torno do processo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a audiência do ministro da Justiça Sérgio Moro no Senado. Moro vai à CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado na quarta-feira (19) para responder a questionamentos sobre as mensagens trocadas com membros da força-tarefa da Lava Jato, reveladas pelo site The Intercept Brasil. A percepção é de que nem todos os senadores que se incomodaram com o teor das conversas reveladas pelo The Intercept Brasil entre Moro e procuradores são a favor de...

As assessorias do PT na Câmara e no Senado têm orientado seus parlamentares para que evitem fulanizar em torno do processo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a audiência do ministro da Justiça Sérgio Moro no Senado.

Moro vai à CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado na quarta-feira (19) para responder a questionamentos sobre as mensagens trocadas com membros da força-tarefa da Lava Jato, reveladas pelo site The Intercept Brasil.

A percepção é de que nem todos os senadores que se incomodaram com o teor das conversas reveladas pelo The Intercept Brasil entre Moro e procuradores são a favor de mudanças no caso que levou Lula à prisão –por isso seria improdutivo partir daí.

Interlocutores ouvidos pela coluna Painel, da Folha, consideram que até mesmo alguns parlamentares do campo progressista não encampam a luta pela libertação de Lula. Diante dessa constatação, o partido foi aconselhado a tratar as dúvidas sobre a atuação de Moro a partir de prisma mais amplo.

Para a assessoria do PT, Moro deve ser apresentado como protagonista de decisões que deram fôlego ao discurso da antipolítica, cujo produto final foi a eleição do presidente Jair Bolsonaro (PSL). Nesse cenário, o ingresso do ex-juiz no Ministério da Justiça deve ser explorado.

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Por outro lado, no entendimento de alguns senadores governistas, a contaminação do clima na audiência de Moro dependerá principalmente da estratégia da oposição.

Governistas dizem que, caso o PT ou os partidos do centrão entrem em confronto direto com o ministro, o saldo pode ser positivo para o ex-juiz. Isso porque, apesar de enfraquecido pela revelação das mensagens, Moro ainda goza de prestígio de grande parte da população, dizem.

Já a fala de Bolsonaro, no sábado, de que não tem 100% de confiança em seu titular da Justiça, foi vista como uma maneira de se preservar se a situação do ministro se tornar insustentável, o que não é o caso neste momento.

O diagnóstico é o de que os fatos revelados provavelmente seriam um “golpe fatal” em qualquer outro membro do primeiro escalão, mas não em alguém com a popularidade de Moro.

A expectativa mesmo de parlamentares independentes do governo é a de que, caso não haja novas revelações antes da reunião, ele deve retomar fôlego e evitar assim que seja criada uma CPI para investigá-lo no Congresso.

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