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16 de janeiro de 2016, 17h57

Qualquer maneira de amor vale a pena.

– Em decisão que concedeu guarda provisória de criança a casal LGBT, Juíza cita música Paula e Bebeto, de Caetano Veloso e Milton Nascimento. A vida de Paulo e Tarcísio merece destaque não apenas em função do amor entre os dois, mas também p0r suas lutas conquistas. Eles foram um dos primeiros casais LGBT a celebrar o casamento no Estado do Ceará. Estive no casamento deles, foi uma bela e concorrida cerimônia que aconteceu há mais de dois anos aqui em Fortaleza. Eles também conseguiram esta semana mais uma nova conquista: a guarda provisória de sua filha, que já era criada por...

Em decisão que concedeu guarda provisória de criança a casal LGBT, Juíza cita música Paula e Bebeto, de Caetano Veloso e Milton Nascimento.

A vida de Paulo e Tarcísio merece destaque não apenas em função do amor entre os dois, mas também p0r suas lutas conquistas. Eles foram um dos primeiros casais LGBT a celebrar o casamento no Estado do Ceará. Estive no casamento deles, foi uma bela e concorrida cerimônia que aconteceu há mais de dois anos aqui em Fortaleza.

Eles também conseguiram esta semana mais uma nova conquista: a guarda provisória de sua filha, que já era criada por ambos mas ainda aguardava a decisão do Poder Judiciário para que fosse oficializada como tal, a fim de que Paulo tivesse também a guarda compartilhada com seu esposo. Na bela peça, onde parte dela foi disponibilizada por Paulo Diógenes em seu perfil na Rede Facebook, a Magistrada – Dra. Angela Sobreira, da 4a Vara de Família da Comarca de Fortaleza, cita a letra da música Paula e Bebeto, de Caetano Veloso e Milton Nascimento, para justificar a sua decisão. O trecho da bela canção que dá título a este texto deveria ser um norte para muitas outras decisões:

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Qualquer maneira de amor vale amar, qualquer maneira de amor vale a pena“.

A conquista de Tarcísio e Paulo Diógenes servirá para ilustrar o caminho de milhares de outros casais LGBT que já haviam conquistado o seu direito à união civil após a histórica decisão do Supremo Tribunal Federal em 2011, que norteou a Resolução 175/2013 do Conselho Nacional de Justiça e aguardam ainda o direito ao pátrio poder. A decisão do Judiciário cearense, no caso de Paulo e Tarcísio, chancela de forma oficial o direito de Paulo ser o segundo pai da filha de Tarcísio, seu esposo desde 2013.

O Judiciário brasileiro vem respondendo à altura após a primeira decisão do STF em 2011. Em 2015, pela primeira vez o mesmo Supremo Tribunal Federal decidiu a favor de um casal homoafetivo que buscava a adoção de uma criança, em ação que teve a Ministra Carmem Lúcia na Relatoria.

A história de Paulo e Tarcísio tem as suas nuances legais, porque aconteceu no limiar de uma época onde a união de pessoas do mesmo sexo ainda tem que se socorrer ao Judiciário para fazer valer o seu direito. Ao mesmo tempo, é uma união que resta emblemática porque representa, além de um caso de amor, também a conquista de uma grande bandeira.

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Aos que se opõe de forma ferrenha e até irascível ao casamento de pessoas do mesmo sexo, a união de Paulo e Tarcísio somente tem um efeito imediato: mais uma bela família de pais amorosos que buscam cuidar e amar a sua filha.

E, parafraseando o poeta, se a alma não é pequena, tudo vale a pena.

Como também vale a pena qualquer maneira de amor.

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