Blog do Maringoni

política

28 de agosto de 2017, 08h49

Quanto maior o êxito de Lula, maior alvo ele se torna

Na real, as andanças do ex-metalúrgico não miram o enfrentamento do ano que vem. No pacote está a desmoralização de um governo que demonstra incrível capacidade de se manter no poder.

Na real, as andanças do ex-metalúrgico não miram o enfrentamento do ano que vem. No pacote está a desmoralização de um governo que demonstra incrível capacidade de se manter no poder.

Por Gilberto Maringoni

É bem possível que quanto maior o êxito das caravanas de Lula, maior seja o desejo dos golpistas de tirá-lo da disputa de 2018. Ou seja, quanto mais forte, mais incômodo ele se torna.

No entanto, dados os sinais já emitidos pelo ex-presidente – acenos a Meirelles em especial – é pouco provável que uma futura gestão embuta surpresas para os de cima.
Na real, as andanças do ex-metalúrgico não miram o enfrentamento do ano que vem. Lula está – corretamente – disputando 2017, ano que demorará muito a terminar. No pacote está a desmoralização de um governo que demonstra incrível capacidade de se manter no poder e, secundariamente, a denúncia das reformas e arbitrariedades em curso.

Embora tenha abraçado caciques peemedebistas – como Renan Calheiros e Jackson Barreto – e uma latifundiária como Katia Abreu, Lula não está errado nesse quesito. Busca atrair dissidentes do lado de lá. Não logra, no entanto, angariar apoio entre setores expressivos do capital.

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Sua campanha – e a impressionante comoção popular que suscita – é que preocupa o outro lado. O verbo do ex-mandatário tem servido para, indiretamente, recolocar no prumo a autoestima de largos contingentes da população e ampliar a insatisfação com a deterioração das condições de vida.

Nada indica que essa possível consciência se transforme em movimento efetivo. Mas funciona para as classes dominantes como o fantasma da revolução negra no Haiti (1804) funcionou nas décadas finais da escravidão. O medo de uma rebelião incontrolável era externado em salões e na imprensa para que o abolicionismo não se transformasse em campanha de rua.

O mais provável é que Lula siga como um leão desdentado. Ruge, mas não morde. Mas sua ação atual alarga espaços democráticos e coloca á luz do dia o descontentamento latente.

Por isso, quem teoriza algo como o “pós-lulismo” ou a “superação do lulismo” deve levar em conta não o programa que o líder tem na cabeça, mas sua impressionante capacidade de mobilizar multidões. São essas que acendem o sinal amarelo para a malta de jagunços homiziados em Brasília e nos postos de comando do financismo.

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Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula/Fotos Públicas

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