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24 de janeiro de 2014, 10h57

Quem é a feminista que está causando barulho com uma ‘nova’ bandeira: os pelos pubianos

Em 2012, Emer O''Toole decidiu não se depilar mais por causa do que chama de pressão sobre as mulheres para se conformar com “normas artificiais de gênero”. “Eu comecei a examinar minha própria relação com meu corpo”, diz

Em 2012, Emer O”Toole decidiu não se depilar mais por causa do que chama de pressão sobre as mulheres para se conformar com “normas artificiais de gênero”. “Eu comecei a examinar minha própria relação com meu corpo”, diz Por Kiko Nogueira, DCM Emer O’Toole (Reprodução) Emer O’’Toole é uma irlandesa de 30 anos, professora de “estudos performáticos” da Universidade de Concordia, em Montreal, no Canadá. Tornou-se uma das feministas mais controvertidas do mundo, especialmente pela causa que defende com maior veemência: a dos pelos pubianos. Em 2012, ela decidiu não se depilar mais por causa do que chama de pressão sobre...

Em 2012, Emer O”Toole decidiu não se depilar mais por causa do que chama de pressão sobre as mulheres para se conformar com “normas artificiais de gênero”. “Eu comecei a examinar minha própria relação com meu corpo”, diz

Por Kiko Nogueira, DCM

Emer O’Toole (Reprodução)

Emer O’’Toole é uma irlandesa de 30 anos, professora de “estudos performáticos” da Universidade de Concordia, em Montreal, no Canadá. Tornou-se uma das feministas mais controvertidas do mundo, especialmente pela causa que defende com maior veemência: a dos pelos pubianos.

Em 2012, ela decidiu não se depilar mais por causa do que chama de pressão sobre as mulheres para se conformar com “normas artificiais de gênero”. “Eu comecei a examinar minha própria relação com meu corpo”, diz.

Ela conta que uma das razões para abraçar essa ideia foi um escândalo em Dublin, onde um salão de beleza foi acusado de oferecer “depilações de virgem” para crianças de 11 e 12 anos. Emer uma das fundadoras do site Everyday Sexism Project, coletivo que “denuncia” o que considera manifestações de sexismo pelo mundo. O grupo conseguiu retirar da App Store, por exemplo, um aplicativo sobre cirurgia plástica para jovens.

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Há alguns dias, Emer causou enorme barulho com um artigo para o jornal inglês The Guardian, do qual é colunista. Declarou 2014 “o ano da moita” —  ano da “moita”, se é que você a entende.

Para ela, a atriz Cameron Diaz é o símbolo de um movimento de rejeição à vergonha imposta às mulheres pela “indústria da remoção”. Isso porque Cameron incluiu em seu livro de dicas de beleza um capítulo dedicado aos pubianos. “Remove-los é o mesmo que falar ‘eu não preciso do meu nariz’”, escreveu a atriz.

Outro sinal de que o o vento está favor, acredita Emer, é a decisão da grife American Apparel de colocar nas vitrines manequins com verdadeiras perucas nas calcinhas, o que causou congestionamentos de curiosos em frente às lojas, fotografando a novidade.

“Este ano será nosso — nós, que amamos nossos jardins”, diz ela.

Manequins da American Apparel (Reprodução)

“Antes da Primeira Guerra Mundial, praticamente nenhuma mulher americana raspava as pernas. Em 1964, 98% delas com menos de 44 anos o faziam”, diz. “O capitalismo nos convenceu de que os pelos do corpo feminino não são naturais e tem sido assustadoramente bem sucedido nisso”.

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“Como eu poderia querer que meus pelos pubianos fossem femininos e aceitáveis quando tinha tanta vergonha do cabelo em minhas pernas ou debaixo dos meus braços? Assim, como outras neste ano da moita, eu decidi que era hora de parar de desmaiar e acordar”.

A bandeira de Emer O’Toole está longe de ser uma unanimidade, mesmo entre seus pares. Gente como Emily McCombs, escritora e editora executiva do site feminista xoJane, critica o que classificou como obsessão idiota.

“Se você é uma feminista (mesmo que não seja), eu não dou a mínima para o que você faz com sua cara, seu corpo ou o que quer que seja. Vamos falar de direitos humanos, civis e políticos, sobre negras que não têm o direito de dirigir carros e meninas que são vendidas como escravas sexuais. Os debates sobre vaginas peludas são completamente irrelevantes”.

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