Anarca é a mãe

25 de novembro de 2014, 15h21

Rebelde “sem causa”

jornadas de junho

Que satisfação é para a pessoa adulta rir da rebeldia jovem!

Quão tranquilizante transformar cinismo em realismo, individualismo em sabedoria, covardia em prudência.

Quão aconchegante usar outra pessoa para justificar a nossa corrupção, incutindo nela, de uma só vez, culpa pelo sacrifício dos nossos ideais e vergonha por se dar ao luxo de sonhar – “Eu era como você, mas ‘tive que’ mudar para comprar a comida que você come.”

Quão confortável usar nossa “experiência de vida” para escusar nossa acomodação. Como se alguém experimentasse alguma vida além da sua própria, UMA única, um espaço amostral minúsculo perto do nível de cagação de regras por aí.

A “experiência de vida”, aliás, é a carteirada da pessoa adultista. Costuma vir acompanhada de “um dia você…” e “quero ver quando…”. É com ela que a pessoa adulta racionaliza sua vergonha de ter se transformado em tudo o que sempre desprezou; é com ela que a pessoa adulta zomba da energia transformadora das pessoas mais jovens que ela; é com ela que a pessoa adulta silencia o dissenso e deslegitima o que se passa nos corações que batem mais forte que o dela.

Massa de manobra? Peões em um tabuleiro? Manipuláveis? Sugestionáveis? Influenciáveis? Bando de arruaceiros?

Será que nos incomodaríamos se o barulho não denunciasse o “estilo de vida” que nos seduziu? Será que nos doeríamos se o idealismo jovem não cutucasse o nosso próprio, querendo acordá-lo de seu sono modorrento? Será que desdenharíamos des insurgentes se sua revolta não esfregasse na nossa cara a nossa submissão?

Se, na nossa opinião, lhes falta saber disto ou daquilo, por que não dialogar, ao invés de desqualificar?

“Ah, mas não escutam, acham que sabem tudo!” Lamuriam de pronto as sóbrias cãs adultistas, projetando em outrem sua própria arrogância surda.

Se queremos que nos ouçam, temos que começar ouvindo – de verdade, com respeito e acolhimento.

O despeito com que é tratada a força criadora e revolucionária da juventude me parece muito mais inveja que sensatez. É como dizem… quem desdenha quer comprar. Mas comprar o quê? Quem ainda não se vendeu.

http://www.youtube.com/watch?v=Wv49RFo1ckQ

Veja também:  Será que uma revolução político-social é possível no Brasil?

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