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16 de abril de 2019, 06h00

“Rebelião da extinção”: Ativistas em Berlim fazem alerta sobre mudanças climáticas

Capital alemã foi palco de uma das manifestações do movimento "Extinction Rebellion", que tem realizado mobilizações globais para alertar a população sobre as mudanças climáticas e denunciar a incapacidade de políticos e governos de lidar com um tema tão urgente

Foto: Niklas Franzen
Por Niklas Franzen*, de Berlim, especial para a Fórum  Na tarde desta segunda-feira (15), em Berlim, capital da Alemanha, cerca de 300 ativistas do movimento “Extinction Rebellion” (em português, “rebelião da extinção”) fizeram um ato em frente ao Reichstag (parlamento alemão) para alertar a população sobre a situação dramática do clima na Terra e denunciar a incapacidade dos políticos de lidar com a crise climática. Entre as reivindicações dos ativistas está a redução da emissão dos gases de efeito estufa para zero até 2025. Eles também exigem transparência total dos governos e empresas sobre as ameaças da mudança climática. “A crise do...

Por Niklas Franzen*, de Berlim, especial para a Fórum 

Na tarde desta segunda-feira (15), em Berlim, capital da Alemanha, cerca de 300 ativistas do movimento “Extinction Rebellion” (em português, “rebelião da extinção”) fizeram um ato em frente ao Reichstag (parlamento alemão) para alertar a população sobre a situação dramática do clima na Terra e denunciar a incapacidade dos políticos de lidar com a crise climática. Entre as reivindicações dos ativistas está a redução da emissão dos gases de efeito estufa para zero até 2025. Eles também exigem transparência total dos governos e empresas sobre as ameaças da mudança climática.

“A crise do clima mata”, “Rebelião ou morte” e “Salve o clima agora” eram algumas das frases que estavam estampadas nas faixas erguidas pelos manifestantes.

Foto: Niklas Franzen

“Queremos mandar um sinal sobre algo que os políticos não podem mais ignorar. Não pode continuar assim”, afirmou à Fórum Friederike Schmitz, uma das organizadoras do ato.

Na parte da tarde a manifestação continuou debaixo da estação de trem Jannowitz Brücke com falas dos ativistas e música ao ar livre. Por volta das 16h (horário local) cerca 200 ativistas ocuparam a ponte Oberbaumbrücke que, até a queda do Muro de Berlim, ligava Alemanha oriental e ocidental. A polícia não conseguiu impedir o bloqueio da via pelos ativistas.

Parte do ato foi na debaixo de uma linha de trem (Foto: Niklas Franzen)

Marry Mae, estudante berlinense de 25 anos, ficou sabendo da manifestação pelas redes sociais. Sentada no bloqueio da ponte, ela disse à reportagem que quer mandar um recado para os políticos e radicalizar a luta. “Quero que meu neto cresça em um mundo não-destruído.”

Manifestantes bloquearam uma ponte (Foto: Niklas Franzen)

O deputado federal do partido de esquerda Die Linke, Lorenz Gösta Beutin, acompanhou o protesto como observador parlamentar. “O dia foi um sucesso, mas foi só um começo. Teremos que continuar na luta pelo clima internacionalmente”, disse.

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Depois de duas horas a polícia começou dispersar os manifestantes da ponte. A intervenção não foi violenta e não há registro de feridos ou detidos, segundo o porta-voz da polícia.

Polícia retira manifestantes da ponte (Foto: Niklas Franzen)

O movimento “Extinction Rebellion”, que nasceu no ano passado na Inglaterra, planeja mais atividades em Berlim e em outras cidades nos próximos dias.

Além da capital alemã, nesta segunda-feira foram realizados atos pelo clima em dezenas de cidades em todo o mundo, incluindo outras capitais europeias, como Londres. Berlim contará, ainda, na sexta-feira (19), com mais um “Fridays for Future”, evento semanal do movimento Ende Gelände que, através de ocupações em massa e protestos, luta “pelo fim do uso de carvão”.

*Niklas Franzen (Twitter: niklas_franzen) é editor e jornalista no jornal diário “Neues Deutschland”, em Berlim

**Edição de Ivan Longo, da Revista Fórum 

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