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09 de novembro de 2019, 19h22

A esquerda de volta ao jogo, por Julian Rodrigues

Lula Livre é uma pequena rachadura no muro do Estado de exceção: abriu-se um novo período na luta contra o bolsonarismo

Foto: João Pompeo/Brasil de Fato

O homi voltou. A jararaca está solta. Milhões de brasileiras e brasileiros choraram, gritaram, brindaram festejando a libertação de Lula depois de 580 dias de um cárcere mais que injusto.

Confesso que eu mesmo tinha poucas expectativas com o resultado do julgamento do STF na quinta-feira, 7 – e com a possibilidade do Lula sair hoje. Zé Dirceu, comandante, também já deixou a prisão.

Foi a primeira vitória do campo democrático desde que vencemos as eleições de 2014. Uma inflexão importante no cenário de absoluta hegemonia ultra-liberal e neofascista que se instituiu desde a derrubada de Dilma, em 2016.

Bora comemorar muito. Não é pouca coisa.

Que saudade do Lulão! Aliás é impressionante como Lula fez de sua saída um manifesto de amor e afeto – conscientemente. Nós (comunistas, socialistas, progressistas) representamos o exato oposto do ódio e da intolerância neofascista.

Lula condensa e simboliza a esperança de milhões – a ideia de entrega a uma causa e de partilha. Um revolucionário, já havia nos ensinado Che, é movido pelos mais puros sentimentos de amor – pela humanidade e pela ideia de igualdade e justiça.

Mas nossos problemas não acabaram!

Derrotar o bolsonarismo vai exigir muita , muita luta social, política e ideológica. A derrubada de Dilma, a prisão de Lula e a eleição de Bolsonaro foram expressão da ruptura das classes dominantes com o pacto constitucional de 1988 – ou seja: com o regime democrático-burguês.

A libertação de Lula precisa se tornar o início de uma nova etapa na batalha pela retomada das liberdades democráticas e das políticas sociais. Estávamos fora do campo, como se nosso time todo tivesse sido expulso. Agora, com Lula livre rodando o país e falando com o povo a gente retorna minimamente ao jogo.
A reação imediata da direita é condenar uma suposta “volta da polarização” e ressaltar que Lula continua “ficha-suja”. Ou seja, não querem deixar o povo voltar a sonhar com os bons tempos, quando Lula governava para as maiorias e o Brasil crescia e gerava emprego.

#LulaInocente precisa ser a próxima consigna das nossas jornadas. E, depois #LulaPresidente, para reconstruir a democracia e a própria ideia de um país digno desse nome.

Anunciar a candidatura presidencial do Lulão não é – e nem poderia ser – uma mera submissão ao calendário eleitoral e à luta institucional. Nem tampouco o cultivo de ilusões acerca dos compromissos democráticos das elites e do bolsonarismo.

Lula já mandou avisar que sai da prisão “mais à esquerda” do que entrou. Todas suas falas evidenciam que ele construiu uma compreensão mais nítida sobre o caráter intrinsicamente autoritário da burguesia brasileira.

Vamos ter que combinar luta de massas com luta política-ideológica-cultural. E acumular forças nas eleições de 2020. Derrotar o bolsonarismo será possível apenas com a mobilização de milhões nas ruas, com a formulação de um programa de reformas estruturais, que reconstrua o Estado e os direitos do povo.
#LulaPresidente será, a partir de hoje, parte constitutiva e alicerce do movimento anti-bolsonarista – e pelo resgate da soberania do Brasil. Trata-se de oferecer um horizonte para as massas, uma perspectiva de poder, uma alternativa ao projeto da direita.

Lula é o candidato a presidente permanente do povo brasileiro.

Ou seja, não queremos esperar 2022, não estamos atados a uma normalidade do calendário eleitoral. Nossa luta é para derrubar Bolsonaro-Guedes-Moro o mais rápido possível. Contudo, ainda há uma longa estrada pela frente: o governo não está fraco, pelo contrário.

Mas, o jogo começou de verdade, agora.

Caravanas de Lulão pelo Brasil, falando com o povo. PT, PSOL e PcdoB construindo alianças e alternativas para enfrentar o bolsonarismo nas eleições do ano que vem. Levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima. Erguer a cabeça e ir para as ruas.

Lula já puxou a orelha dos petistas: ano que vem não tem tergiversação, precisamos eleger vereadores e prefeitos, ir pra briga. Lançar os melhores e mais fortes candidatos em todas as cidades. Encarar a briga com a extrema-direita em todo lugar.

Temos que ter candidatas/os em Salvador, em Belo Horizonte (Patrus, Bia), em Curitiba e por aí vai.

Em São Paulo – tenho certeza – Lulão será o militante mais disciplinado da campanha para levar o PT de volta à prefeitura, com nosso melhor e mais forte nome: Fernando Haddad.

#LulaPresidente
#HaddadPrefeitoSP

*Julian Rodrigues, professor e jornalista, mestre em ciências humanas e sociais, ativista movimentos LGBTI e de Direitos Humanos é militante do PT-SP.


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