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22 de abril de 2019, 06h00

A noite dos generais

"Nenhuma instituição, por mais fechada e verticalizada, escapa aos dissensos e contradições da sociedade complexa em que está inserida. E, quanto mais fechada e verticalizada é uma organização, mais ela depende do perfil de seus chefes."

Bolsonaro em Cerimônia Comemorativa do Dia do Exército, com a Imposição da Ordem do Mérito Militar e da Medalha do Exército Brasileiro. (Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)

Bolsonaro tem o indiscutível mérito de ter cumprido a mais emblemática de suas promessas: nos fez retroceder 50 anos.

Falta nosso Produto Interno Bruto encolher até o tamanho de 1970, quando era de 1/24 (um vinte e quatro avos!) do PIB dos Estados Unidos. Hoje o PIB brasileiro é de mais de 1/6 do PIB dos EUA, mas estamos a caminho. Só o primeiro trimestre da ditadura nacional-bocialista encolherá nossa economia em pelo menos 0,2%.

Nos demais campos o mérito é inegável. Nos costumes voltamos à Idade da Pedra, nas ciências à Idade Média, e nas relações internacionais ao Brasil-Colônia pré-Iluminismo.

Ditaduras

As forças desse nosso arremedo de democracia também guardam paralelo com as da ditadura militar. Sem menosprezar o onipresente capital financeiro, e sua serviçal mídia hegemônica, vejamos o Exército.

Nenhuma instituição, por mais fechada e verticalizada, escapa aos dissensos e contradições da sociedade complexa em que está inserida. E, quanto mais fechada e verticalizada é uma organização, mais ela depende do perfil de seus chefes.

Em 1975 o caso Vladimir Herzog expôs o confronto entre a “ala mais civilizada” do Exército, e sua “ala bárbara”.

O embate

Agora, a operação deflagrada pelo STF contra a “ala bárbara” (um desastre político, porque em causa própria), se dá sob aval da “ala mais civilizada” do Exército.

Não tenhamos ilusões sobre as diferenças. São significativas, e renderão ainda mais manchetes e fofocas. Porém, os pontos de comunhão predominam.

Exemplo de consenso, as usuais menções aos fundamentos e objetivos da República são meramente formais, assim como, usualmente, no Judiciário. As exibem como a “prova” de que somos uma “democracia”, independentemente de saírem do papel para a realidade.

Brutalidade

A tolerância para com o assassinato do povo pelo Estado é outro ponto de comunhão, seja na Chacina da Lapa, em 1976, ou hoje, com os snipers de Whitney Houston em Manguinhos. Tal como eram e são tolerados os Esquadrões da Morte dos 70, e as atuais milícias.

O que importa é ter clareza de que os conceitos são relacionais. Um vice da “ala bárbara” pode até posar de “civilizado”, quando contrastado a um presidente que incentiva programas de tiro para crianças de 11 anos.

P.S. Um bom estudo dos estragos da submissão de estruturas sociais fechadas e verticalizadas, a chefes psicopatas, pode ser encontrado no filme de 50 anos atrás “A Noite dos Generais”, de Anatole Litvak (Reino Unido/França, 1967).

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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