Fórum Educação
07 de dezembro de 2019, 12h30

A obra de Fernando Brant em “Vendedor de Sonhos” por uma constelação de intérpretes

Com uma opção clara por versões mais suaves, o disco é um hinário de canções maravilhosas pinçadas entra as 320 compostas por Brant, 110 delas com Milton Nascimento

Foto: Divulgação

Um presentão de natal o álbum “Vendedor de Sonhos” e por várias razões. A principal delas é que ele traz 20 canções com letras de Fernando Brant, uma boa parte delas em parceria com Milton Nascimento.

Como se isso não bastasse, o disco traz uma constelação de intérpretes que vão desde os amigos Milton e Beto Guedes, Toninho Horta, Lô Borges, Tavinho Moura, Flávio Venturini, até outros consagrados como Djavan, Joice, Dori Caymmi, Zé Renato, Mônica Salmaso chegando aos mais jovens Samuel Rosa, Roberta Sá, Fernanda Takai entre outros.

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O projeto foi produzido e idealizado por Robertinho Brant, sobrinho do letrista, que morreu em 2015. Sobre o álbum, Milton Nascimento, seu parceiro maior e mais frequente declarou ao Estado de Minas: “Muito legal saber que esse material finalmente ganhou o mundo. Fernando Brant teve uma vida grandiosa, sua obra é imortal. E não podemos parar por aí. Fernando Brant é o Brasil, a gente jamais deve se esquecer disso”.

E, ao contrário dos riscos, entre tantas composições que tiveram interpretações consagradas, o disco é de fato lindo. Com uma opção clara por versões mais suaves, “Vendedor de Sonhos” é um hinário de canções maravilhosas pinçadas entra as 320 compostas por Brant, 110 delas com Milton.

Alguns megassucessos, como “Travessia”, “Ponta de Areia” e “San Vicente” entraram, mas vários outros, como “Canção da América” e “Nos bailes da vida” ficaram de fora. A explicação do produtor é que estas canções já foram tão regravadas que valeria à pena privilegiar outras.

E assim foi. Com isto, o álbum ganhou lindas interpretações, como “Credo”, com o grupo Boca Livre. Um dos destaques é “O Medo de Amar é o Medo de ser Livre”, parceria com Beto Guedes, mas aqui gravada pela primeira vez por Milton. O próprio Beto aparece em “San Vicente”, com um belo instrumental e um tom mais baixo.

Os arranjos de metais que aparecem vez ou outra ganham destaque, sobretudo na ótima interpretação de Fernanda Takai para “Veveco, Panelas e Canelas”, parceria também de Beto Guedes.

O fã de Fernando Brant pode ficar frustrado com a ausência de uma canção ou outra, o que não tira o mérito do álbum. A sua vasta obra traz inúmeras surpresas e possibilidades. A interpretação de Joyce para “Saudades dos aviões da Panair (Conversando no Bar)” é uma delas. A canção, gravada por Elis Regina e também pelo Milton, ganhou com ela uma interpretação diferente, delicada, com muita sensibilidade.

O mesmo vale para Toninho Horta em Travessia. A antivoz do guitarrista caiu como uma luva nesta nova interpretação, na contramão de todas as outras que existem da canção.

Vale cada canção, cada faixa, cada reinterpretação. “Vendedor de Sonhos” mereceria vários volumes.


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