A prioridade é afastar Bolsonaro – Por Raimundo Bonfim

"Para deter Bolsonaro e defender a democracia, o caminho é mobilização nas ruas"

O Brasil hoje tem uma prioridade: afastar da Presidência da República Bolsonaro e seus capangas reunidos nos clubes de motos, atiradores, jagunços do campo, milícias urbanas, grupos nazifascistas e seguimentos dos militares.  

Já durante as eleições de 2018 uma parcela da população tomou conhecimento do histórico miliciano de Bolsonaro e suas ligações com os porões do regime militar. Mas com sua chegada à Presidência da República seu lado mafioso e autoritário ficou mais evidente. Sua estreita ligação com as milícias do Rio de Janeiro o levou a patrocinar interferência na Polícia Federal, Procuradoria Geral da República (PGR) para proteger interesses próprios, dos filhos e assessores próximos. 

Quando do aparecimento da pandemia, Bolsonaro adotou o negacionismo, propalou que se tratava de uma “gripezinha”, criticou o isolamento social, sabotou o uso de máscaras, debochou das vítimas. Brigou com governadores, retardou a compra de vacinas, investiu milhões em tratamentos ineficazes e fez de Manaus um laboratório para a sua tese genocida de “imunidade de rebanho”. Pessoas morreram por falta de oxigênio.

Enquanto o mundo se orientou pela ciência e pelas recomendações da OMS (Organização Mundial da Saúde), investiu na proteção social dos mais pobres, do emprego e renda, se organizou para adquirir vacinas, no Brasil o Ministério da Saúde foi tomado por quadrilhas que disputavam com quem ficava o dinheiro da corrupção na compra das vacinas, conforme revelado pela CPI da Covid-19. Resultado: até o momento mais de 570 mil mortes e 20 milhões de pessoas contraíram o vírus.

Destruição e ameaça à democracia é a marca registrada do governo Bolsonaro. Ataca os direitos, as instituições democráticas, o meio ambiente, a ciência, a pesquisa e a cultura. Não diz uma palavra sobre os 15 milhões de desempregados, 30 milhões de pessoas na miséria, 19 milhões passando fome, algumas em filas de açougue à espera de ossos para saciar a fome, justamente em Cuiabá, capital do agronegócio.   

Diante do avanço da insatisfação, da perda de popularidade, das mobilizações de ruas e posicionamento em defesa da democracia de variados setores da sociedade civil, Bolsonaro aposta na desestabilização, no caos, no confronto, visando uma ruptura com o regime democrático. As recentes ameaças ao processo eleitoral, com a defesa da volta do voto impresso, acusando sem provas a votação em urna eletrônica, falas, motociatas, tanques brindados em frente ao Congresso são táticas bolsonaristas para encobrir a tragédia humana da pandemia do coronavírus, os escândalos de corrupção revelados pela CPI da Covid-19, a crise econômica, o aumento do desemprego, da fome e pobreza, além da crescente rejeição e seu isolamento politico, apesar de contar ainda com apoio do centrão e amplo setores dos militares.

Estamos sob constantes ameaças contra a nossa soberania, a democracia e os direitos.  O presidente, os miliares, sua base fascista, a cada dia, ameaçam o povo com golpe, ora com palavras, ora com tanques nas ruas, ora com chantagem e intimidação das instituições do regime democrático, como o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal. Por outro lado, aumentam as mortes pela Covid-19, a pobreza e a fome. É vergonhoso ver tanta gente sem ter o que comer, alguns pegando resto de comida no lixo para saciar a fome, mesmo sendo o país um dos maiores produtores de alimentos do mundo.

Para deter Bolsonaro e defender a democracia, o caminho é mobilização nas ruas. As Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, espaços que articulam mais de 100 entidades e movimentos populares, sindicais, sociais e partidos políticos, dede de 29 de maio têm promovido atos de ruas pelo Fora Bolsonaro, aceleração da vacina e auxílio emergencial de 600 até o fim da pandemia.  Não se trata de movimento eleitoral para favorecer determinada candidatura. Os protestos têm como objetivo pressionar Arthur Lira, presidente da Câmara, a instalar o processo de impeachment.

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São movimentos e forças políticas com divergências, mas que não deixarão de existir, pois o que está em jogo hoje é o próprio fim da possibilidade de divergir. Podemos esperar 2022 para voltar a debater nossas visões e projetos de Brasil.

É preciso união das lideranças, dos partidos de esquerda, do campo democrático, movimentos, organizações e frentes para fortalecer e ampliar o movimento de massas, pois até o momento, não obstante a retomada dos atos de rua que reuniram milhares desde o dia 29 de maio, ainda não criamos as condições para avançar no processo de impeachment e também impedir as privatizações, destruição de direitos e ataques à democracia.

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Temos o desafio de aumentar o diálogo e trazer para as mobilizações do dia 7 setembro a parcela da população que está sendo afetado com o desemprego, desmonte dos serviços públicos, a carestia dos alimentos, alta dos aluguéis, preço das tarifas de energia, gasolina e gás, tendo como mote geral o Fora Bolsonaro. Agora a prioridade é afastar Bolsonaro, defender os direitos, a soberania e preservar a democracia. Deter Bolsonaro e evitar o golpe do golpe. É isso que está em jogo.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Fórum

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Raimundo Bonfim

Raimundo Bonfim é advogado, coordenador nacional da Central de Movimentos Populares (CMP) e membro da coordenação nacional da Frente Brasil Popular (FBP). Iniciou a militância nos movimentos populares em 1986, na Favela Heliópolis, a maior de São Paulo

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