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02 de fevereiro de 2019, 12h33

A tragédia de Brumadinho é um alerta para a classe trabalhadora

Há bombas relógio espalhadas pelo país, e, dada as recentes falas do atual presidente de que “o trabalhador deve escolher entre menos direitos e emprego” (lembrando que há direitos que protegem a vida dos trabalhadores e trabalhadoras) o governo parece não se importar muito com essa realidade

Rompimento matou 165 pessoas (Reprodução)

Por Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense

O assassinato em massa que ocorreu no rompimento de uma barragem de rejeitos de minério na cidade de Brumadinho-MG foi uma tragédia de proporções homéricas. Além do grande desastre ambiental causado, a Vale foi responsável pelo maior acidente de trabalho ampliado da história do país.

A sétima economia do mundo, conseguiu uma façanha de ter um genocídio do trabalho enquanto discutimos como robôs e inteligência artificial influenciam a quarta revolução industrial. O Brasil foi capaz de bater seu recorde pessoal de acidentes fatais, enquanto qualquer lógica que represente o básico das nossas vontades, deveria expressar, no passar dos anos, uma queda no número dessas mortes.

É inerente do capitalismo, por definição, fazer com que o Capital seja foco das relações do sistema político. Por exemplo, as tomadas de decisões de Estado tendem a privilegiar e proteger o lucro, a movimentação financeira ou o patrimônio privado. A falta de sanções à Samarco por causa das mortes em Mariana pode ilustrar esse fato.

Por exemplo, a falta de solução ou punição para o desastre de Mariana, em 2015, só ganhou destaque quando aconteceu a tragédia de Brumadinho.

[Para refletir além: essa impunidade acontece também nos assassinatos da boate Kiss, em Santa Maria. Contudo, esse assunto só vai ser pauta se um desastre parecido sensibilizar toda sociedade.]

Uma maneira histórica que existe para atenuar a desigualdade das relações entre Capital e Trabalho é a organização dos trabalhadores e trabalhadoras. Basicamente, a força coletiva daqueles que conhecem o dia a dia das empresas traz algum contraponto –  atualmente ainda muito tímido, infelizmente – à busca do lucro na planilha dos grandes executivos ou à especulação da bolsa de valores.

Nesse sentido, não podemos esquecer que a Vale é reconhecida por dificultar (inclusive com espionagem) a organização do seus funcionários. Portanto, não pode ser descartada que o assédio sistemático que a empresa realizava com seus empregados e empregadas também é causa do sofrimento de centenas de famílias .

Soma-se tal fato ao desmonte acelerado das proteções trabalhistas conquistadas historicamente, como a terceirização irrestrita, o desmonte da CLT e o fim do Ministério do Trabalho, e temos um desequilíbrio enorme a favor das relações do Capital no sistema político.

Além disso, tanto a própria extração mineral com outras barragens, quanto plataformas e refinarias de petróleo ou grandes obras da construção civil estão por todo o país, portanto, não se pode descartar, de maneira nenhuma, uma outra tragédia trabalhista.

Há bombas relógio espalhadas pelo país, e, dada as recentes falas do atual presidente de que “o trabalhador deve escolher entre menos direitos e emprego” (lembrando que há direitos que protegem a vida dos trabalhadores e trabalhadoras) o governo parece não se importar muito com essa realidade.

A única resposta imediata possível para os perigos que rondam as relações de trabalho no Brasil é a “fiscalização” dos próprios trabalhadores, aqueles que realmente conhecem os verdadeiros problemas do ambiente de trabalho.

Uma melhor organização popular – seja pelo trabalho, pela identidade ou por demandas sociais – é primordial para proteger o povo de tragédias que tiram a vida das classes historicamente oprimidas e prejudicadas pela lógica da busca do lucro sem fim.

Urge, assim, uma resposta incisiva de Sindicatos, Federações e Centrais sobre a tragédia de Brumadinho, no intuito de envolver a classe trabalhadora brasileira na disputa diária pelas duas conquistas e direitos.

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