Após Bolívia e Paraguai, a Colômbia se subleva – Por Daniel Valença

O agravamento da crise econômica, política, social e sanitária e as medidas neoliberais adotadas tendem a levar outros países a seguir o mesmo caminho

A Colômbia vive uma sublevação popular desde o início da semana. O governo neoliberal de Ivan Duque intenta realizar uma reforma tributária que tem como consequência a taxação não de grandes fortunas, bancos, grandes empresas ou multinacionais, mas da classe trabalhadora, inclusive de seus setores médios.

A população então, apesar da pandemia, saiu às ruas, e desde então se iniciou uma repressão terrível por parte do governo. Já são ao redor de dez manifestantes assassinados pelas forças repressivas e, ante o crescimento das mobilizações, Ivan Duque anunciou neste 1° de Maio a ordem para que o exército ocupe as cidades e reforce a repressão.

Já ontem (2), Ivan Duque solicitou ao Congresso a retirada de pauta da reforma, mas indicou que enviará nova proposta “consensuada”. É a velha tática de desmobilizar e depois passar a boiada.

Mas, aceitará a classe trabalhadora colombiana? Após tantas mortes (ao menos 21), mais de 500 prisões arbitrárias, estupros de manifestantes, tudo isto em menos de uma semana, é possível que, após décadas de pesadelo, finalmente tenha chegado a hora do basta.

A Colômbia, é bom lembrar, é o braço direito do imperialismo norte-americano na América do Sul, e, desde os acordos de paz de 2016, já soma mais de 1.150 líderes sociais assassinados, segundo o Instituto Para el Desarrollo y la Paz (Indepaz). Só em 2021, já são mais de 40 vítimas.

O agravamento da crise econômica, política, social e sanitária e as medidas neoliberais adotadas tendem a levar outros países a seguir os exemplos de Bolívia, Paraguai e Colômbia, em que a população se mobilizou para enfrentar o vírus e o governo.

**Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista da Fórum.

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Daniel Valença

Professor do Programa de Pós-graduação em Direito da UFERSA, doutor em Direito pela UFPB, coordenador do Grupo de Estudos em Direito Crítico, Marxismo e América Latina (Gedic). Vice-presidente do PT/RN.