Após “escolher” Bolsonaro, Estadão diz que “PT não está interessado na defesa da democracia”

Principal porta-voz da elite branca, patriarcalista e endinheirada, Estadão tem mais semelhanças com o protofascismo autoritário de Jair Bolsonaro do que compromisso com a defesa da democracia

As páginas do Estadão nada mais são do que o reflexo do recorte patriarcalista, endinheirado e branco que pingou sobre a avenida Paulista nos atos de 12 de Setembro, convocados pela molecagem do Movimento Brasil Livre (MBL).

Após escolher Jair Bolsonaro (sem partido) em 2018, apostando junto com os “pesos pesados do PIB” que um declarado protofascista levasse adiante as propaladas reformas neoliberais no país, o jornal controlado pela família Mesquita agora diz que o “PT não está interessado na defesa da democracia”.

O motivo é que militantes do partido não entraram no balaio de gatos dos atos do MBL – que tinha inicialmente como slogan: nem Bolsonaro, nem Lula – e que a causa petista é a eleição de Lula.

Na verdade, o ranço do Estadão a Lula vem desde muito antes do malfadado ato da Paulista.

Para o Estadão, Lula sempre foi um inimigo à exemplo daqueles que buscavam a abolição da escravatura no final do século XIX, quando jornal já mancomunava com setores dessa elite patriarcalista, branca, racista e preconceituosa que hoje se reflete na face de Jair Bolsonaro.

O Estadão é quem nunca defendeu a democracia, no sentido etimológico do termo, adulando de escravistas a banqueiros na expropriação das infinitas formas de riquezas que compõem o povo brasileiro.

O ódio dos Mesquita foi retratado quando um dos donos do jornal, Fernão Mesquita, levantou um cartaz mandando a Venezuela se foder em ato pró-Aécio Neves em 2014 – lembrado pelo perfil Jornalismo Wando no Twitter.

A cena abjeta, nos princípios do golpe que resultou na destituição de uma presidenta – PETISTA – legitimamente eleita, abriu a porteira fascista que levou Bolsonaro ao poder.

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Ligar Lula a Bolsonaro na esperança de levar um novo cordeiro do sistema financeiro ao poder em 2022 é uma estratégia vil, desavergonhada, própria dessa elite retratada nas páginas do folhetim da família Mesquita, que em sua história já considerou uma escolha muito difícil os caminhos entre a liberdade aos negros escravizados e as benesses aos endinheirados que os sustenta.

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Plinio Teodoro

Jornalista, editor de Política da Fórum, especialista em comunicação e relações humanas.

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