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29 de março de 2019, 06h00

Bolsonaro, mídia e crise: a palavra que precede o esporro

O compromisso da mídia - e do "establishment" liberal-financista - nunca foi com Bolsonaro, que só ganhou notoriedade após surgir como única opção para derrotar o campo progressista e o candidato de Lula, após o desgaste do discurso e o chafurdamento dos quadros do PSDB

Sem trégua, mídia associa crise ao Bolsonaro de olho em Mourão (Montagem/Rafael Mendonça/PR)

Não chegou nem aos habituais 100 dias a trégua da oligarquia midiática ao governo Jair Bolsonaro (PSL). A ordem foi dada em uma ação conjunta entre os três principais jornais do país, que em editoriais similares na última terça-feira (26) mandaram recado ao capitão diante de um momento de turbulência nas relações institucionais com o legislativo: “desça do palanque” e assuma “suas tarefas políticas e institucionais”.

Bolsonaro segue firme no palanque, alimentando picuinhas entre poderes – tanto pelas redes sociais, quanto em entrevistas atabalhoadas -, e causando cada dia mais embaraços para a missão que lhe foi dada: aprovar o pacote de maldades da Reforma da Previdência e implantar uma política econômica ultra-liberal no país.

O recado, então, chegou às manchetes dos jornais desta quinta-feira (28) juntamente com a palavra de ordem que emerge nos bastidores da mídia: “crise”.

A aposta agora é alimentar diariamente o fosso da crise. Após fazer vistas grossas a um político que mostrou verdadeiramente quem era durante quase 30 anos de Congresso para elegê-lo diante de um discurso simplista de que “o PT não pode voltar ao poder”, a mídia, sempre em conjunto com o “establishment” liberal-financista, mostra que Bolsonaro é incapaz de cumprir a missão a que lhe foi confiada.

Junto à mídia, esse “establishment” testa a flexibilidade e a capacidade de alguém de patente mais alta junto aos militares.

Na sabatina com os detentores do PIB após palestrar para mais de 700 empresários na sede da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), o vice-presidente, general Hamilton Mourão (PRTB) prestou continência aos interesses relacionados à Previdência, ao fim dos direitos trabalhistase à implantação dos pilares liberais, com o aprofundamento de políticas privatistas e entreguistas sob a máscara do falso patriotismo verde oliva.

O general ainda acenou com um certo “compromisso” com a liberdade, citando três exemplos – expressão, religião e escolha -, o que soa melhor aos ouvidos da oligarquia midiática do que o discurso de enfrentamento ideológico de Bolsonaro, cunhado em palavras rasas e de baixo calão do guru Olavo de Carvalho, que só tem causado problemas ao governo.

O compromisso da mídia – e do “establishment” liberal-financista – nunca foi com Bolsonaro, que só ganhou notoriedade após surgir como única opção para derrotar o campo progressista e o candidato de Lula, após o desgaste do discurso e o chafurdamento dos quadros do PSDB.

O compromisso sempre foi com as políticas liberalizantes que atuaram como força motriz para o fortalecimento e a concentração dos próprios grupos de mídia no país. E quando alguém é alçado ao poder que não lhes agrada (mais), a primeira ordem é instalar a crise – não que Bolsonaro não dê motivos quase que de hora em hora para isso.

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