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05 de maio de 2019, 18h21

Brexit marca derrota de conservadores e extrema-direita nas eleições locais britânicas

Apesar de manter-se como primeira força política do país, o maior perdedor foi o Partido Conservador da primeira-ministra, Theresa May

Há quase 20 dias da eleição para o parlamento europeu (26 de maio), ocorreram as eleições locais no Reino Unido da Grã-Bretanha na última quinta-feira (2). Com votações na Inglaterra e na Irlanda do Norte (com exceção da Escócia e País de Gales), mais de 8000 cadeiras em parlamentos locais foram disputadas.

Na oportunidade, a mensagem do povo britânico foi clara, contra os partidos que defenderam o Brexit ou vacilaram em defender a permanência do país no bloco.

Apesar de manter-se como primeira força política do país, o maior perdedor foi o Partido Conservador da primeira-ministra, Theresa May. Saindo de 5.521 conselheiros municipais na última eleição para 3.561, perdendo assim um número significativo de cadeiras (-64% do resultado anterior nos mesmos locais).

No mesmo caminho de queda, foram os resultados apresentados pelo partido de extrema-direita, Partido da Independência do Reino Unido (UKIP), liderado pelo deputado europeu, Nigel Farage, que saíram de 176 vereadores para apenas 31, perda de cerca de 145 parlamentares (-82% de sua bancada anterior).

Ambos partidos, foram os maiores perdedores do momento, os Conservadores em números totais e o UKIP em números proporcionais, sendo que ambos foram os principais defensores há cerca de 3 anos atrás do chamado Brexit.

Por sua vez, o Partido Trabalhista, o segundo maior partido britânico, do líder oposicionista Jeremy Corbin, recebeu uma mensagem diferente – para alguns amarga. Apesar de não ter tido um resultado tão ruim em termos totais e/ou em comparação com a eleição local equivalente anterior, o partido esperava outro resultado. Com uma posição ambígua e dividida sobre o Brexit, o partido saiu de 2.278 vereadores para conquistar 2.023 cadeiras (-82 vereadores, -4% em comparação com a eleição passada nos mesmos municípios).

Neste sentido, os ganhadores dessas eleições locais, foram os partidos que lutaram claramente contra o Brexit e aqueles que criticaram do desgastado status quo – muitos desses, pequenos partidos independentes e locais.

Entre os vencedores, destacou-se o Partido Liberal Democrata, que saiu de 658 vereadores para 1.351 (um crescimento de 704 novos parlamentares locais, +52%). Outro vencedor, foi o Partido Verde, que de 87 cadeiras nas eleições passadas, conquistou 273 (198 novos conselheiros, +72%). Os liberais foram os maiores vencedores em números totais e os verdes em números proporcionais.

Enfim, a mensagem entregue pelos resultados das eleições locais retrata um momento político da Grã-Bretanha. Ainda que o Brexit seja quase irreversível – e um novo referendo seja improvável, os reflexos poderão ser ainda vistos por muitos anos no cenário político britânico, principalmente se os números catastróficos da economia se concretizarem nos próximos anos. Problemas como crescimento da pobreza, desmonte do Estado de Bem-Estar Social, sentimento anti-imigração e fuga de capitais preocupam a todos sobre o futuro.


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