Capitã Piroquina – Por Lelê Teles

Mentir é um método e uma senha, a mentira é a (des)verdade dessa patota, Pazuzu mentiu tanto que lançaram o homem ao governo do Rio

Imagina um ambiente de trabalho que tenha como hostess uma despirocante piroca inflável, logo na entrada e, ainda, barbúdicos capachos do Che Guevara em todas as soleiras das portas.

Você pisa, esfrega os pés e o charuto do cabra nunca se apaga, como não se desmancha a ternura do sorriso juvenil que o guerrilheiro argentino traz no rosto.

Aí você transpõe o umbral e se depara com lulas livres, leves e soltos espalhados por todos os cantos do recinto e, veja que coisa, as paredes internas ostentam pixos, gravuras, grafites e gravanhas que gritam “Marielle Vive. Viva Marielle”, gerando um heráldico e insolente pangrafismo.

Ficou querendo largar o home office e sair correndo pra lá? Pois seus problemas acabaram, esse lugar existe.

E existe porque alguém o criou; assim como existem o céu, os anjos, os espíritos, os fantasmas e os etês.

É a imaginação que coloca uma imagem em ação e, para isso, é preciso apenas que exista um imaginário.

O imaginário é onde depositamos as coisas imaginadas.

Quando a doutora Mayra Pinheiro deu aquela vexosa e imaginativa entrevista, acusando a Fiocruz de ser o braço sanitário do Foro de São Paulo, e afirmando ter visto o que não poderia ver, visto não existia, ela acabou por criar a existência virtual dessas niilidades.

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O bolsonarismo é isso: construção de ruínas sob alicerces de escombros.

O gado mocho verde-amarelo não apenas nega a realidade, ele procura substitui-la, construindo um simulacro feito de memes, saliva e paranoia.

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A imagem da mamadeira de piroca segue viva na imaginação desses porraloucas.

Essa gente segue um fiofólogo refugiado na Virgínia que tem fixação anal, peniana e escatológica.

Abusam de um léxico de puteiro, usam palavrões como vírgulas, chamam todos os desafetos de vagabundos, dizem que as meninas são estupradas porque não usam calcinha, que não sei quem tem uma piroquinha, que não sei quem mais é pedófilo, que vai enfiar a máscara no rabo…

O líder desses midiotas, o Zero-zero, chegou a publicar um urinante golden shower durante o carnaval da família brasileira.

Claro que é preciso desfazer essas desinformações que a doutora Mayra ventilou na CPI e mostrar respeito ao trabalho de uma instituição tão importante como a Fiocruz, bem como a seus servidores; mas não se iluda, os fiofólatras estão com essa imagem viva na mente: piroca gigante, lulas livre, Marielle vive, mecânicos e padeiros cubanos dando uma de médicos e a doutrinação sanitária como ferramenta revolucionária do globalismo comunolulista.

Conhecerei a desverdade e a desverdade os escravizará.

A doutora Mayra conseguiu faturar, com sua exposição na CPI, uma peça de campanha gratuita, feita numa tevê pública; campanha antecipada, diga-se. 

É candidatíssima, preenche todos os requisitos do gado mocho que votou num fortão, por ele ter quebrado uma placa; num Mamãe Falei, por nunca ter dito nada falável; num ator pornô, por pura pornografia; numa plagiadora, por ódio ao jornalismo profissional e num molecote orientalizado que mostrou as nádegas antes de simular uma falsa caminhada até Brasília.

Mentir é um método e uma senha, a mentira é a (des)verdade dessa patota, Pazuzu mentiu tanto que lançaram o homem ao governo do Rio.

Lançaram na CPI, e agora vão convocar o marqueteiro dele, talvez para definirem o logo e o slogan de campanha.

Temo que essa CPI esteja a servir como plataforma de testes de candidatos da direita; Weintraub, o energúmeno, pode sair de lá como cabeça de chapa para São Paulo, o irmão tem potencial pro senado.

O palhaço do Itamaraty saiu de lá numa liteira flutuante.

Dizem que ele deu um passeio na CPI, mesmo que todos o tenham visto tartamudear como um afogado em desespero.

Às favas aos fatos.

Fábio Wajngarten só não se saiu melhor porque não soube mentir com convicção, mentiu à boca pequena, aos sussurros, não teve peito pra negar a verdade.

O cara tem chegar ao ponto de dizer assim: “de quem são esses cheques de 40 mil na conta da sua esposa?” E ele: “opa, 40 é o cacete, são 89 mil e foram depositados pra mim na conta dela por um pé-rapado que me devia uma bolada, tauquei?” “E devia por que motivo?” “Ah, cara. Foda-se!”

Negar, negar, negar e mentir.

Mentir, mentir e ameaçar.

Xingar, esculachar, perseguir, acusar, distorcer…

Orar.

É um método.

Pelos mortos, pelos vivos e pelos mortos-vivos: oremos ao senhor.

**Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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Lelê Teles

Formado pela Universidade de Brasília, Lelê Teles é jornalista, roteirista e publicitário. É roteirista do programa Estação Periferia (TV Brasil) e da série De Quebrada em Quebrada (Prodav 09). Sua novela, Lagoas, foi premiada na Primeira Bienal de Cultura da UNE. Discípulo do Mestre Cafuna, prega o cafunismo, que é um lenitivo para a midiotia e cura para os midiotas.

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