Raimundo Bonfim

06 de março de 2019, 15h39

Carnaval e luta: não vamos sair das ruas

“Embalado pelo carnaval, é hora de sairmos às ruas para impedir a aprovação do fim da aposentadoria e o desmonte da previdência pública”, escreve Raimundo Bonfim em novo texto

Foto: Lula Marques/Agência PT

Segundo o dito popular, no Brasil só começa o ano após o carnaval. Um mito, pois a grande massa de trabalhadores começa a pegar no batente é logo no dia 2 de janeiro. Mas deixemos de lado essa polêmica sobre quando se inicia de fato o ano em nosso país. O fato concreto é que as manifestações políticas começaram no carnaval.

Nesse momento que escrevo esse texto, o carnaval continuava em pleno andamento, mas já podemos afirmar que a crítica e protesto político foi a marca do carnaval de 2019. Por todo o país as festas carnavalescas tiveram forte viés político, tendo como principais alvos as figuras do presidente Jair Bolsonaro e seus filhos.

Por outro lado, o grito por Lula Livre foi um ponto alto das manifestações espontâneas dos foliões. Para além das manifestações nos blocos e trios elétricos, é importante ressaltar os desfiles recheados de críticas políticas e sociais das escolas de samba do Rio de Janeiro, Estação Primeira da Mangueira e Paraíso do Tuiuti.

A Mangueira trouxe para a Marquês da Sapucaí a história do massacre sofrido, mas também de resistência, por índios, negros e pobres, com o enredo heróis da resistência.  A agremiação verde e rosa ainda fez uma justa homenagem a Marielle Franco, ex-vereadora do RJ, assassinada em 14 de março de 2018.

A Tuiuti, com o enredo “O Salvador da Pátria”, levou para a Sapucaí a saga de um bode, chamado de Ioiô, ocorrida no Ceará nos anos 1920. O personagem fugiu da seca do interior do estado e foi para a capital Fortaleza. Ficou famoso, se elegeu vereador e sofreu um golpe das elites. A escola faz um paralelo do golpe sofrido pelo bode, à época, com o atual momento político do país, mostrando que toda vez que uma figura do povo chega ao governo, a elite derruba, como aconteceu com Dilma e a prisão do Lula. A escola fez duras críticas a Bolsonaro e seus seguidores.

Embalado pelo carnaval, é hora de sairmos às ruas para impedir a aprovação do fim da aposentadoria e o desmonte da previdência pública.

O abre-alas foi no carnaval, mas daremos continuidade. No dia 8 de março – Dia Internacional das Mulheres – estão sendo organizadas mobilizações protagonizadas pelas mulheres – que levarão para as ruas as seguintes bandeiras de lutas: Contra Bolsonaro. Vivas por Marielle. Em defesa da previdência, democracia e direitos.

Para defender o direito à aposentadoria dos trabalhadores (as) que deram sua contribuição para o desenvolvimento do nosso país, as Frentes Brasil Popular, Povo Sem Medo e as Centrais Sindicais estão organizando o Dia Nacional de Mobilizações em defesa da aposentadoria e da previdência pública, que acontecerá em 22 de março. O propósito é organizar atos nas principais capitais do país. Em São Paulo, a manifestação será no vão livre do Masp, na Avenida Paulista.

A dura e árdua jornada de trabalho que assola a classe trabalhadora brasileira, muitas vezes, é enfrentada com o alento de que, no fim dessa trajetória, a pessoa alcançará a tão sonhada aposentadoria.

Este direito agora sofre sério risco de ser eliminado pelo governo Bolsonaro.

A manifestação será a primeira de uma jornada de lutas para impedir o fim da aposentadoria e o desmonte da previdência pública. O dia 22 de março será muito importante para a luta da classe trabalhadora em defesa da aposentadoria. Será decisivo no acúmulo de força, com vista à preparação de uma greve geral – que inevitavelmente temos que fazer, se quisermos derrotar os grupos econômicos que pretendem se apropriar da previdência pública.

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