Cartas do Pai: Amarelona

Nas Cartas do Pai de hoje, Ivan Cosenza mostra como foi mudar da euforia à decepção com a nova amarelada da Seleção.

Rio de Janeiro 09 de Junho de 2021.

Pai,

Estão completando 37 anos do lançamento da campanha das “Diretas Já!”. Bordão que você criou para o movimento e que foi lançado na reportagem que fez com o Teotônio Vilela!
Foi lindo!
Fui na manifestação aqui na Candelária, no Rio de Janeiro.
A Av. Presidente Vargas estava lotada e o país todo estava mobilizado.
Lindo! Lindo!
Junto com os políticos e sindicalistas, estavam os artistas e esportistas.
Você fez também o símbolo da primeira torcida de futebol pelas diretas, a “Fla Diretas” e logo depois criou a Gaviões das Diretas, da qual participaram o Sócrates e o Casagrande!
Saudades de quando os jogadores de futebol tinham consciência de sua importância para o país e para os brasileiros.
Depois do Chile e da Argentina desistirem de sediar a Copa América, por causa da pandemia, o presidente genocida pensou: Por que não?
Aí os jogadores e o técnico da seleção divulgaram que tinham que se pronunciar sobre isso!
Ficamos todos animados aqui.
Será que eles vão mostrar que são humanos?
Que se importam com a vida dos brasileiros e são capazes de usar o poder e a fama que têm para forçar o fim desta insanidade?
Aguardamos ansiosos e…
…e nada!
Amarelaram bonito!
Resolveram não arriscar seus privilégios em troca de salvar vidas!
Mudaram os jogadores, mas continuamos levando um 7×1 atrás do outro.
Que venha a Cova América.
Que venham as novas variantes para se espalharem pelo país que não comprou vacina.
A amarelinha virou amarelona, pai!
Um beijo do seu filho,
Ivan

**Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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Ivan Cosenza de Souza

Cronista, produtor cultural, curador da obra de Henfil, seu pai, e presidente do Instituto Henfil. Escreve as Cartas do Pai para a Revista Fórum.
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