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28 de outubro de 2019, 12h04

Eleições na Argentina, Uruguai e Colômbia, crise na Bolívia e Chile. Leia tudo na coluna de Ana Prestes

Uma das primeiras medidas econômicas desencadeadas com o resultado na Argentina foi o anúncio por parte do Banco Central da Argentina de que os argentinos só poderão comprar US$ 200 por mês

Alberto Fernández e Cristina Kirchner - Foto: Reprodução/ Instagram

– Argentina elegeu ontem (27) um novo presidente, Alberto Ángel Fernández, advogado criminalista, ex-chefe de gabinete do presidente Néstor Kirchner e também por um período chefe de gabinete da presidente Cristina Kirchner, agora sua vice-presidente. A vitória nas urnas se deu com quase 48%, o que garantiu a conclusão do pleito no primeiro turno. Na Argentina se um candidato ou candidata ultrapassam os 45% dos votos não há segundo turno. Macri obteve pouco mais de 40% dos votos e logo reconheceu a derrota convidando o presidente eleito para um café da manhã no dia de hoje (28) para começarem a falar de transição. Macri governa até o dia 10 de dezembro. O país está desde setembro em emergência alimentar e em uma gravíssima situação de deterioração econômica. Bolsonaro disse que lamenta a eleição e que não cumprimentará o vencedor, na mesma fala disse que a Argentina pode ser inclusive suspensa do Mercosul. Uma das primeiras medidas econômicas desencadeadas com o resultado foi o anúncio por parte do Banco Central da Argentina de que os argentinos só poderão comprar US$ 200 por mês. A medida visa segurar a cotação do dólar no país que está em 65 pesos.

– Outro país em que a população foi às urnas no dia de ontem (27) é o Uruguai. O candidato mais votado foi Daniel Martinez, da Frente Ampla, que ficou com 38,6% dos votos, seguido de Luis Lacalle Pou, do Partido Nacional (blancos), 28,22%. Ambos disputarão o segundo turno eleitoral no próximo dia 24 de novembro. Tudo indica que será uma disputa bastante acirrada, visto que a FA está há 15 anos no poder e os demais concorrentes podem se juntar para tentar derruba-la, os temas mais sensíveis explorados pela oposição são o apoio da FA ao governo venezuelano, a questão da segurança pública e dos costumes, como os avanços dos direitos da comunidade LGBTI. O Uruguai também teve seu Bolsonaro na disputa, trata-se de Guido Manini Ríos, um general retirado que já foi comandante do exército uruguaio demitido por Tabaré Vázquez por confrontar o governo em temas de direitos humanos e violações do período da ditadura (1973-1984) e que obteve 10,73% dos votos.

– Outro país sulamericano que passou por eleições no final de semana foi a Colômbia. Eleições municipais no caso. Foram eleições bem importantes para o avanço da oposição que venceu nas três principais cidades do país: Bogotá (capital), Medelín e Cali. A eleição que mais chamou atenção foi a de Bogotá por ter elegido Claudia López, do partido Alianza Verde, com quase 36% dos votos. Claudia é ex-senadora e será a primeira mulher a governar Bogotá, posto considerado o segundo mais importante do país. O candidato Hollman Morris, representante de uma aliança de partidos de esquerda e alinhado com o ex-candidato a presidente Gustavo Petro obteve 14% dos votos, conquistando o terceiro lugar. Em segundo lugar ficou Carlos Fernando Galán, com 32,51%, considerado candidato independente. O golpe maior para o uribismo, no entanto, foi onde são tradicionalmente mais fortes, em Medelín. Foi eleito Daniel Quintero, um candidato apresentado como independente. Quintero já passou por diversos partidos, foi ministro de Santos e apoiou Gustavo Petro nas últimas eleições presidenciais, mas no seu discurso, após saber da vitória, disse que o país deve superar a polarização Uribe e Petro. Ele é uma espécie de Tabata de lá, que vem de uma família pobre da periferia, ascende através dos estudos (estudou em Harvard), participou de plataformas de formação política, não se encaixa em nenhum partido e se projeta como “independente”.

– Também na América do Sul, segue tensa a situação no Chile. O país teve sua maior manifestação realizada em décadas na última sexta (25) com mais de um milhão e duzentas mil pessoas nas ruas. Amplo envolvimento de todos os setores organizados da sociedade e da população em geral que aderiu massivamente. As últimas medidas do presidente Sebastián Piñera frente ao levantamento foram a suspensão das funções de todos os ministros e decreto do fim do estado de emergência. O número total de mortos durante as manifestações que ocorreram por cerca de 10 dias foi de 20. Frente à repressão, um grupo de deputadas e deputados de oposição coletou assinaturas para iniciar uma acusação constitucional contra o presidente e seu ministro do interior, Andrés Chadwick. Serão investigados por violações aos direitos humanos durante o período em que o país esteve sob o estado de emergência, do dia 19 ao dia de ontem (27).

– Na Bolívia também as coisas não estão calmas. O presidente reeleito Evo Morales desafio no sábado (26) seus oponentes e a comunidade internacional a provar que houve fraude eleitoral no último dia 20 de outubro. O governo brasileiro foi um dos que não reconheceu o resultado eleitoral, segundo o Itamarati “neste momento”. Segundo o Tribunal Supremo Eleitoral do país, Evo ganhou com 47,08% contra 36,5% de Carlos Mesa. Na Bolívia se primeiro colocado tiver uma dianteira de mais de 10% do segundo ele é declarado vencedor no primeiro turno. A OEA questiona o resultado dá “indicação de realização de um segundo turno”. Carlos Mesa disse a imprensa que “não reconhece a conclusão da apuração nacional das eleições gerais e as consequências políticas e jurídicas do mesmo”.

– Trump se vangloriou ontem no twitter sobre a morte do líder do ISIS, Abu Bakr al-Baghdadi, segundo o presidente dos EUA, “morreu como um covarde. Chorando, gemendo, gritando e levando com ele para a morte três garotos. Ele estava em pânico”, o misto de morbidez e sadismo da fala de Trump esconde que por muito tempo seu governo, junto a Israel, deu proteção ao líder e seu grupo, como forma de manter a tensão na Síria e evitar uma vitória da aliança entre Assad e Putin no território. Um jogo macabro se esconde por traz dos tuítes trumpianos.

– Em jornada pela Ásia, o presidente Bolsonaro foi recebido ontem (27) pelo Xeique Mohammed bin Zayed Al Nahyan, príncipe herdeiro dos Emirados Árabes Unidos. Dizem nos bastidores que a reunião foi sem tradução para o presidente, pois sua comitiva não contava com o tradutor. Deste modo, Bolsonaro disse que deviam estar falando “boa coisa a respeito do Brasil”. Antes, entre os dias 24 e 26, Bolsonaro passou pela China, onde se encontrou com Xi Jinping e assinou oito acordos bilaterais nas áreas de política, economia e comércio, agricultura, energia, ciência e tecnologia e educação.

– Outro país que está tomado por manifestações nos últimos dias é o Líbano. Os protestos começaram com o anúncio de um plano para cobrar uma taxa sobre chamadas de voz em aplicativos como o whatsapp. Uma forma que o governo viu de aumentar suas receitas. A grande reação popular fez o governo recuar, mas os protestos continuam. No dia de ontem (27) os manifestantes fizeram uma corrente humana ao longo de 170 km pela costa do país, de Trípoli a Tiro.

– Os EUA tiraram suas tropas da Síria, da região disputada pelos curdos e conflagrada pelo ataque da Turquia aos curdos, mas agora retornou. Fato que o governo russo chamou de banditismo. A medida, segundo o Pentágono, é para “impedir o acesso do Estado Islâmico às receitas do petróleo”. Ontem circularam fotos de veículos blindados americanos cruzando a fronteira da Síria na região dominada pelos curdos. A medida se dá ao mesmo tempo em que tropas fieis a Assad e tropas russas avançam para o norte do país para proteger os curdos contra a Turquia. A região possui importantes campos de petróleo da Síria. Russos e turcos fizeram um acordo para patrulhar essa região. Ao fim e ao cabo, estão brigando pelo controle do petróleo da região que está dentro da Síria, os EUA, a Turquia e a Rússia, como aliada síria.

– Brexit adiado mais uma vez. União Europeia topou. Novo deadline: 31 de janeiro de 2020.


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