Cinegnose

por Wilson Ferreira

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19 de dezembro de 2019, 00h00

Fabricando a “pirralha” Greta Thunberg: a engenharia social do consenso climático

Leia no blog Cinegnose: "A fabricação da narrativa da 'garota solitária' indignada diante das mudanças climáticas é a superfície publicitária de um crucial momento do capitalismo"

Fotos: Reprodução

Bolsonaro é o “Meu Malvado Favorito” da esquerda. Que, irritado, chama a ativista ambiental sueca de 16 anos, Greta Thunberg, de “pirralha”. Pronto! A esquerda adere acriticamente à ativista que de repente se tornou uma heroína por se tornar um desafeto do capitão da reserva. Esse é o gênio da atual guerra semiótica criptografada dentro da qual todas as oposições políticas estão como sob o encanto de um feitiço. Greta Thunberg é a atual peça “femográfica” chave da engenharia de opinião pública por trás do “Green New Deal”, a estrela do momento do maior experimento de mudança comportamental já realizado em escala global. A fabricação da narrativa da “garota solitária” indignada diante das mudanças climáticas é a superfície publicitária de um crucial momento do capitalismo. Uma ação de engenharia social para criação de consenso sem – privatização da questão climática e o crescimento explosivo das ONGs que se transformaram numa indústria turística disfarçada de voluntariado para jovens privilegiados do Ocidente. E, principalmente, como as celebridades fetichizadas em uma sociedade de rápida erosão cultural se transformaram em um poderoso ativo do capitalismo e militarismo para a criação de soluções corporativas para o clima.

“Como é possível ser tão facilmente enganado por algo tão simples como uma estória? Bem, tudo se resumiria a um elemento principal: o investimento emocional. Quanto mais investido emocionalmente você estiver em qualquer coisa em sua vida, menos crítico e observador se tornará” (David JP Phillips, coaching em Comunicação Corporativa e membro do conselho de administração da startup We Don’t Have a Time).

“O que é irritante sobre as manipulações do Complexo Industrial sem fins lucrativos é a forma como colhem a boa vontade das pessoas, especialmente dos jovens. Visam aqueles que não receberam as habilidades e o conhecimento para realmente pensarem por si mesmos através de instituições projetadas para servir a classe dominante. O capitalismo opera sistemática e estruturalmente como uma gaiola para criar animais domesticados. Essas organizações e seus projetos que operam sob falsos slogans da humanidade para sustentar a hierarquia de dinheiro e violência estão rapidamente se tornando alguns dos elementos mais cruciais da gaiola invisível do corporativismo, colonialismo e militarismo.” (Hiroyuki Hamada, artista plástico da Lori Bookstein Art, Nova York).

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Pelo fato do capitão da reserva e dublê de presidente Bolsonaro ter se transformado no “Meu Malvado Favorito” da esquerda, suas ofensas à ativista ambiental Greta Thunberg chamando-a de “pirralha”, e as diversas fotos fakes de Greta espalhados nas redes sociais pelas suas milícias digitais, fizeram as oposições aderirem automaticamente à jovem sueca. Principalmente depois que a revista Time nomeou Greta como a personalidade do ano 2019.

De repente, a jovem sueca tornou-se um libelo contra o obscurantismo, ainda mais quando o “amigo” de Bolsonaro, o presidente Donald Trump, considerou “ridícula” a nomeação da revista americana.

O caso Greta Thunberg é um desses paradoxos criados pela atual guerra semiótica criptografada, forma avançada de engenharia social que nos força a avaliar os acontecimentos pelo esquematismo de mocinhos versus bandidos, o Bem versus o Mal, Good Guys versus Bad Guys e assim por diante.  Estratégia diversionista que, em última instância, beneficia a extrema direita enquanto deixa as esquerdas perdidas e sem foco.

Enquanto o principal está passando diante dos próprios narizes: pulverização dos direitos e garantias sociais e a rápida construção de um Estado policial teocrático fundamentalista.

Greta Thunberg é a atual peça “femográfica” chave da engenharia de opinião por trás do “Green New Deal”: a fabricação da narrativa da “garota solitária” indignada que se insurge contra os adultos que não percebem que “não temos tempo a perder” diante das mudanças climáticas é a superfície publicitária de um crucial momento do capitalismo.

Desde o crash financeiro de 2008, a economia capitalista global está estagnada e precisa de novos mercados para um novo crescimento através da financeirização da própria Natureza – o desbloqueio de trilhões de dólares para a criação de 65 milhões de empregos de baixo carbono; mas, paradoxalmente, elevando o preço dos créditos de carbono, gerando US$ 2,8 trilhões em novas receitas.

E, principalmente, a financeirização das energias solares, eólicas e outras tecnologias renováveis com impacto negativo, principalmente para os países do terceiro mundo.

Trocando em miúdos: diante de um planeta devastado, criar soluções que sejam mantidas dentro dos limites do próprio sistema econômico que devastou a Natureza. E mais: que as chamadas “soluções limpas” e, principalmente, a escassez (de água potável, energia etc.) tornem-se oportunidade de criação de valor e precificação das novas commodities verdes.

Greta Thunberg é a estrela do momento do maior experimento de mudança comportamental já realizado em escala global.

Como se fabrica a engenharia do consentimento de Greta Thunberg? Quais fatores de comportamentos a sociedade global deverá aderir? E, mais importante, quem decide? São essas as perguntas que esse Cinegnose tentará responder a partir de agora.

A “garota solitária”

“Uma garota de 15 anos em frente ao parlamento sueco faz greve escolar a três semanas do dia das eleições. Imagine como ela deve se sentir sozinha nessa foto. As pessoas continuam passando como se fosse a coisa mais comum. Mas a verdade é, nós não podemos e ela sabe disso”. Esse foi o tweet intitulado “garota solitária” de Ingmar Rentzhog, co-fundador da startup tecnológica We Don’t Have a Time (“Nós Não Temos Tempo”).

Essa seria a estreia da sua famosa greve escolar como forma de protesto por medidas concretas contra o aquecimento global.

Rentzhog foi fundador da Laika (importante empresa sueca de consultoria em comunicações, que presta serviço ao setor financeiro) e recentemente nomeado presidente da think tank Global Challenge. Rentzhog é membro da Líderes da Organização de Realidade Climática do ex vice-presidente norte-americano Al Gore, que organiza a Força-Tarefa de Política Climática Europeia.

Rentzhog recebeu treinamento diretamente de Al Gore em março de 2017, em Denver (EUA), e novamente em junho de 2018, em Berlim. A Climate Reality Project de Al Gore é parceira na startup We Don’t Have a Time.

Assim como o coaching de comunicação corporativa, David JP Phillips, autor da cínica epígrafe que abre essa postagem.

Créditos de carbono

A startup pretende oferecer parcerias, publicidade digital e serviços relacionados às mudanças climáticas, sustentabilidade e crescente economia circular e verde a “uma grande audiência de consumidores e ativistas engajados”.

We Don’t Have Time atua principalmente em três mercados: mídia social, publicidade digital e compensações de carbono (pedra de toque do Green New Deal).

Somente nos EUA, o mercado estimado de compensação de carbono chegou a mais de 82 bilhões de dólares, dos quais a compensação voluntária de carbono representou 191 milhões de dólares. Espera-se que o mercado aumente no futuro; estima-se que em 2019 15% de todas as emissões de gases de efeito estufa estejam associadas a qualquer tipo de custo de compensação.  Como a empresa é uma organização de nicho, as redes sociais podem fornecer serviços personalizados para usuários da plataforma.

A startup identificou essa oportunidade oferecendo a seus usuários a capacidade de comprar compensações de carbono por meio da própria certificação da plataforma. Essa opção se aplica ao usuário individual, bem como a organizações/empresas inteiras.

Os usuários são incentivados a “se comunicar de maneira conjunta e poderosa com atores influentes”. Esses influenciadores são Greta Thunberg e Jamie Margolin (ativista climática de Seattle, EUA), ambos com um futuro lucrativo na marca de indústrias “sustentáveis” e produtos, caso desejem seguir esse caminho, utilizando sua atual celebridade para ganho pessoal (uma característica do movimento das ONGs de base).

Um mercado próspero cuja linha de frente para desbravá-lo e criar consenso na sociedade é formado por ONGs e startups interligadas por “palestrantes Ted” e “líderes de pensamento”, que geralmente têm por trás empresas de finanças e tecnologia mais poderosas e bem-sucedidas do mundo, e as empresas de marketing que as impulsionam ao sucesso.

Raramente são instituições, grupos ou pesquisadores nas áreas das ciências ambientais, nem instituições menores ou indivíduos trabalhando para soluções locais em pequena escala. As instituições mais populares seguidas e compartilhadas por grande parte dessa multidão são compostas por lideranças ocidentais brancas, predominantemente masculinas. Alguns dos mais admirados escolhidos por muitos são o Fórum Econômico Mundial, a Fundação Bill e Melinda Gates, a Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), a revista “Economist”, o Fundo Verde para o Clima – grupos e instituições com os quais se identificam totalmente.

Até Greta Thunberg foi censurada…

Um complexo da indústria climática que não hesita em censurar todo tipo de informação que possa atrapalhar essa engenharia de consenso. Dois episódios foram emblemáticos, um deles envolvendo a própria Greta Thunberg.

Produzido pelo canal público canadense de TV (CBC), o documentário Volunteers Unleashed foi programado para ir ao ar em maio de 2015. O documentário investigou a privatização da questão climática e o crescimento explosivo das ONGs, que se transformaram numa indústria turística disfarçada de voluntariado para jovens privilegiados do Ocidente. E, principalmente, como as celebridades fetichizadas em uma sociedade de rápida erosão cultural se transformou em um poderoso ativo do capitalismo e militarismo.

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*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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