FUP: Não basta demitir Castello Branco, é preciso mudar os rumos da Petrobrás

Após manifestação de petroleiros contra a venda de refinarias e aumento nos preços dos combustíveis cai Roberto Castello Branco cuja gestão beneficiou apenas os acionistas da Petrobrás

Desde o golpe 2016, os preços dos combustíveis dispararam. Durante o governo Dilma e do golpista Temer, os caminhoneiros fizeram greves barulhentas. A primeira, para derrubar Dilma com o diesel custando 2,50 reais. No governo Temer, com a adoção do Preço de Paridade de Importação, o presidente da Petrobras, Pedro Parente caiu, mas os preços não deixaram de subir, porque o com o golpe o mercado sequestrou Petrobras e apenas seus interesses prevaleceram.

Em 2020, os petroleiros fizeram uma greve histórica que paralisaram mais de 120 unidades do Sistema Petrobras, na pauta: a luta contra as privatizações e contra a política de preços dos combustíveis.

Gestão privatista e desastrosa

Roberto Castello Branco assumiu a Petrobras para sucateá-la e privatizá-la. Vendeu a BR Distribuidora, a Liquigás, campos de petróleo e gás natural, transportadoras de gás natural, como a TAG, termelétricas e usinas eólicas, fechou a FAFEN-PR e vendeu a refinaria Landulpho Alves e todo o o seu complexo logístico (dutos, terminais marítimo e terrestres). Sua gestão privatista transformou a Petrobrás numa mera produtora e exportadora de petróleo, reduzindo seu valor no longo prazo e seu papel na economia nacional. O privateiro Castello Branco foi trocado por um militar: general Joaquim Silva e Luna.

O general continuará a manter o desejo e os lucros do mercado ou passará a administrar a Petrobras para o povo brasileiro? A venda da refinaria Landulpho Alves será cancelada? A Fafen-PR será reaberta?

Para os petroleiros, a saída de Castello Branco é a oportunidade da Petrobrás reforçar sua posição integrada e verticalizada, “do poço ao posto”, como são as grandes petroleiras do mundo.

Discurso Único neoliberal na mídia monopolista

Na mídia, megafone dos interesses do Mercado, o discurso continua único: os mercadores da imprensa fazem de tudo para que a população não saiba porque seu gás de cozinha está pela hora da morte, porque tudo aumenta com o preço abusivo dos combustíveis. Luciano Huck disse no twitter que os preços altíssimos dos combustíveis não tem a ver com a gestão privatista, que tudo trata-se de “confiança”. Twitteiros responderam que iriam comprar comida e combustível com “Confiança”.

Professor Silvio Almeida foi cirúrgico em relação à troca de Castello pelo general:

Em nota a Imprensa a FUP argumenta que esta é a chance da maior empresa brasileira retomar os rumos econômicos do país. Deixar para trás a desastrosa gestão de Roberto Castello Branco, que beneficiou apenas os acionistas da Petrobrás, às custas do povo brasileiro. Leia a Nota Completa

Nota da FUP à imprensa

A demissão do presidente da Petrobrás, Roberto Castello Branco, determinada pelo governo federal, acionista majoritário e controlador da empresa, poderia ser a chance de a maior companhia do Brasil retomar seu papel de locomotiva do desenvolvimento econômico e social do país, avaliam a Federação Única dos Petroleiros (FUP) e seus sindicatos. Para a Federação, no entanto, a indicação do general Joaquim Silva e Luna, atual diretor da Itaipu Binacional, como novo presidente da Petrobrás gera dúvidas sobre a condução da nova política de preços da empresa.

“De nada adianta a mudança na cadeira, se não houver mudança da política de preços desastrosa”, diz o coordenador geral da FUP, Deyvid Bacelar, lembrando que Castello Branco cai logo após os petroleiros realizarem manifestação contra a venda de refinaria e contra o aumento dos preços dos combustíveis.

A população brasileira vem sofrendo com a manutenção, pela gestão Castello Branco, da nefasta política de Preço de Paridade de Importação (PPI). Uma política que reajusta gasolina, óleo diesel e gás de cozinha com base no preço internacional do petróleo e na cotação do dólar – mesmo quando esses combustíveis são produzidos no país, com óleo brasileiro. Resultado: combustíveis caros, fretes e alimentos em alta, inflação subindo.

Para a FUP, a saída de Castello Branco é a oportunidade de a Petrobrás reforçar sua posição integrada e verticalizada, “do poço ao posto”, como são as grandes petroleiras do mundo, fortalecendo suas operações nos diversos segmentos da cadeia de petróleo, gás natural e energia, gerando empregos, negócios e renda, investindo em alta tecnologia e na capacitação de seu corpo técnico, assim como fortalecendo a indústria brasileira fornecedora de bens e serviços.

Além disso, a gestão de Castello Branco, que aparentemente beneficiava os acionistas da Petrobrás, é desastrosa para a companhia em médio e longo prazos, com efeito futuro no seu valor de mercado.

Com a venda de ativos importantes para o negócio da Petrobrás, como a BR Distribuidora, a Liquigás, campos de petróleo e gás natural, transportadoras de gás natural, como a TAG, termelétricas e usinas eólicas, a gestão de Castello Branco transformava a Petrobrás numa mera produtora e exportadora de petróleo, reduzindo seu valor no longo prazo e seu papel na economia nacional.

O mais recente desastre econômico e financeiro cometido por Castello Branco foi a venda da Refinaria Landulpho Alves (RLAM), na Bahia, para o Fundo Mubadala, de Abu Dhabi, anunciada no início deste mês. A venda integra um programa de desinvestimento da empresa que abre mão de sua liderança no refino brasileiro alegando a criação de uma concorrência – o que é falacioso.

A venda da RLAM, fechada apressadamente e sem necessidade num momento de pandemia e crise econômica global, renderá à Petrobrás US$ 1,65 bilhão. No entanto, cálculos do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) mostram que a planta vale entre US$ 3 bilhões e US$ 4 bilhões. O banco BTG também pontuou que a RLAM foi vendida por um valor pelo menos 35% menor do que valeria. Prejuízo para a Petrobrás e para o Brasil.

Com a queda de Roberto Castello Branco, a FUP e seus sindicatos esperam que a Petrobrás retome seu protagonismo na economia brasileira, sobretudo diante da incompetência do governo federal de adotar medidas justas e socialmente responsáveis para a retomada econômica do país em um momento tão grave quando o da pandemia de Covid-19.

FUP

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