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13 de março de 2019, 06h00

Marielle vive, e com ela Dandaras, Marias, Mahins e malês

A prisão dos milicianos que assassinaram Marielle - e toda história do submundo da política brasileira que a História não conta e que emerge com isso - uma semana após a Mangueira reacender a luta progressista na Sapucaí tem licença poética para um Brasil destinado a ser grande, muito maior do que o patriotismo lambe-botas de alguns

Marielle viva no desfile da Mangueira, campeã do Carnaval (Repdorução)

Caso não tivesse sido brutalmente assassinada no dia 14 de março de 2018, a socióloga Marielle Franco teria grandes chances de tornar-se em um futuro próximo a primeira presidenta negra, homossexual e nascida na periferia de uma grande cidade da história do Brasil, curando as feridas de séculos de exclusão de uma grande parcela da população brasileira.

Os três tiros na cabeça e um no pescoço efetuados pelo sargento reformado da PM Ronnie Lessa interromperam essa trajetória. As balas colocaram um fim ao corpo físico de Marielle.

Porém, a vida que ali havia se transmutou, multiplicou-se, tornou-se sinônimo de luta, invadiu as ruas durante o processo eleitoral em uníssono #elenão.

A vida de Marielle incorporou-se em Talírias, Sâmias, Áureas Carolinas, Fernandas – e, por que não, Erundinas!?! – que levam seu nome, seus ideais e sua imponência feminista ao Congresso Nacional.

A vida de Marielle colocou-se ao lado da força vital de Dandara, de Luiza Mahin, das mulheres malês, das milhões de Marias, desfilando pela Sapucaí e despojando medos em versos cantados no mais subversivo dos ritmos musicais – e, justamente por isso, perseguido desde os tempos de tia Ciata, até a pequenez daqueles que se escondem através das redes sociais na atualidade.

E quis o destino que o levante Mangueirense abrisse alas para reavivar os ânimos de luta daqueles que não estão nos retratos, que deram os primeiros gritos de liberdade pelo dragão do mar de Aracati, que se fizeram de aço nos anos de chumbo.

A prisão dos milicianos que assassinaram Marielle – e toda história do submundo da política brasileira que a História não conta e que emerge com isso – uma semana após a Mangueira reacender a luta progressista na Sapucaí tem licença poética para um Brasil destinado a ser grande, muito maior do que o patriotismo lambe-botas de alguns.

Uma semana após a Mangueira levar a(s) Marielle(s) para Sapucaí, ela(s) se mostra(m) viva(s), tirando a poeira dos porões e incomodando a quem sempre causou repulsa pelo fato de ser mulher, negra, homossexual e periférica. Sem se deixar passar à margem da História.

Marielle, presente! E mais viva do que nunca!


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