Miséria de Bolsonaro: agora pão, café e manteiga somem das mesas brasileiras

Ouça o estômago e não deixe o presidente te matar de fome. Primeiro arroz e feijão, que registraram aumento recorde, agora são os itens dos cafés da manhã e da tarde que lhes são tirados. O Brasil vive uma catástrofe – Por Henrique Rodrigues

Comer, necessidade humana básica para a manutenção da vida e preservação da própria existência, tornou-se a preocupação central para a maior parte dos brasileiros. E se um governo faz você se preocupar em sobreviver, há algo de muito errado.

Há pouco mais de três meses, em abril, veio a confirmação daquilo que milhões de cidadãos já sentiam no bolso e no estômago. O feijão e o arroz, alimentos que formam a base da principal refeição da imensa maioria dos brasileiros, de acordo com dados da FGV, tiveram alta de 60% apenas em 2021. Era a comprovação, alicerçada em estatísticas dos economistas, de que seu dinheiro derrete e a comida desaparece do garfo de sua família.

E a coisa só piorou de lá para cá. Como disse José Saramago em seu Último Caderno de Lanzarote, as desgraças são facilmente recidivas, e, para provar a frase do Nobel, recebemos neste momento os dados que apenas retratam no papel aquilo que as minguadas moedas dos bolsos dos desempregados e arrochados trabalhadores do país já sentiam: pão, café e manteiga também registram altas pornográficas.

Os índices do IPCA mostraram que o pó de café subiu 17,5%, enquanto o pão francês e a manteiga 8%, em menos de um ano. Carestia, meus amigos. Falamos de carestia, que segundo os melhores dicionários da praça é a escassez de víveres, o encarecimento do custo de vida por conta dos preços totalmente acima da realidade.

Ainda bem que o presidente Jair Bolsonaro já tem uma solução. Ontem (18) mesmo, numa igreja evangélica no Pará, ele disse que toda essa miséria atochada goela baixo dos brasileiros por ele, com sua morbidez de caráter, indiferença contumaz e inequívoca inaptidão para gerir qualquer coisa, será vencida com “fé e crença”.

Quando a fome lhes abater e a carestia falar alto, senhoras e senhores, mantenham indômita a sua fé e não pare de crer. São as receitas do homem que gastou R$ 5,8 milhões no cartão corporativo só de janeiro a agosto deste corrente ano.

Jair Bolsonaro será, para todo o sempre (e o tempo mostrará sem qualquer sombra de dúvidas) a maior de todas as tragédias política de nossa nação, na História. Aliás, já está sendo, ainda que só o avanço dos dias, meses e anos possam lançar luz sobre um monstro para que todo o povo saiba e jamais esqueça.

A fila do osso, de um mês atrás, com mulheres esfarrapadas famélicas comendo os fiapos de carne e cartilagem crus, ali mesmo na rua, apressadas pela urgência cega da fome, ainda estão vivas em nossa memória quando chegamos ao mercado e vemos uma barra fuleira de manteiga ser vendida a R$ 10, ou um saquinho de café ao equivalente a um quilo de muitos tipos de carne há poucos anos.

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Há que se fazer algo. Bolsonaro não pode continuar à frente de toda essa insanidade. Fome numa das maiores economias do planeta e inflação a corroer a dignidade dos brasileiros não podem ser tudo que um governo oferece aos seus cidadãos.

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Henrique Rodrigues

Jornalista e professor de Literatura Brasileira.

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