Moro é um Bolsonaro mais fraco – Por Andrea Caldas

Seu teto só supera os dez por cento se Bolsonaro for tirado da jogada por uma manobra jurídica

Tenho aqui para mim que Moro tirou votos da tal da terceira via e não de Bolsonaro. Ou seja, se consolida como o terceiro. (Aliás, devíamos desde já consolidar esta definição para as terras brasilis: “terceira via é aquela que sempre acaba em terceiro lugar”).

Moro não tem nada a apresentar a não ser a fama de justiceiro kid que já caiu por terra porque o seu antagonista mor não só foi liberado como está em primeiro lugar nas pesquisas.

Qual vai ser o slogan de campanha de Moro? “Teje preso, Lula?”.

Não vai funcionar, né?

Por mais que ele possa querer discutir firulas jurídicas – como apetece à gente desta área – ela não faz cócegas nem na classe média outrora seduzida pelo “cansei” e muito menos nos trabalhadores desuberizados e das massas na fila do osso.

O suposto combate à corrupção não melhorou a vida concreta e nem há provas de que ela foi sepultada mesmo para os mais crédulos. Há sempre o fantasma de Queiroz, da rachadinha e, especialmente, do hacker de Araraquara.

Quanto à pauta econômica – que ele domina tanto quanto seu antigo chefe no Palácio do Planalto -, sua campanha não pode apresentar nenhuma saída fora da ortodoxia econômica, do financismo e da subserviência internacional que minore a miséria, a carestia e o empobrecimento dos setores médios.

Ou seja, Moro é um candidato fraco em forma e conteúdo. Seu teto só supera os dez por cento se Bolsonaro for tirado da jogada por uma manobra jurídica.

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Mas, lembremos que se Bolsonaro pode não ter a salvaguarda jurídica, ele sempre teve o poder miliciano.

Minhas hipóteses, modestas, aqui:

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Quem deve se preocupar com Moro é Ciro e o PSDB.

Quem deve se preocupar com Bolsonaro e suas hostes é Moro.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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Andrea Caldas

Professora da Universidade Federal do Paraná, pesquisadora de políticas educacionais e militante da área da educação. Doutora em Educação, atua na área de gestão educacional, trabalho docente e movimentos sociais. É colunista da Revista Fórum.