Moro usou influência para omitir inquérito contra Carlos Bolsonaro

Algo espantoso é a crença na impunidade dessa quadrilha oriunda de Curitiba. Eles sequer omitem ou disfarçam: fazem questão de deixar claro que mandam e desmandam. Para dar a resposta a Bolsonaro, fizeram questão de mostrar, em menos de 24h, que quem estava no controle era Moro.

No dia imediatamente seguinte à saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça e da Segurança Pública, a Polícia Federal torna público o inquérito que conclui pela participação de Carlos Bolsonaro como articulador de crimes relativos às fake news.

Ora, é razoável supor que a conclusão do inquérito não se deu em um sábado. Ela já existia. E estava sendo ocultada, apenas se tornando pública após as desavenças entre o ministro e o presidente.

É evidente que Moro estava usando sua influência junto à direção geral da PF para impedir que tais informações se tornassem públicas. Ao contrário do que ele apregoa, Moro agiu muitas vezes para acobertar os escândalos envolvendo a familícia Bolsonaro.

Naturalmente, isso precisa ser comprovado pelo exame dos autos do inquérito.

Entretanto, se ficar demonstrado que o processo estava sofrendo retardamento de qualquer tipo, isso configura crime de prevaricação, que ocorre quando um funcionário público indevidamente retarda ou deixa de praticar ato de ofício.

Algo espantoso é a crença na impunidade dessa quadrilha oriunda de Curitiba. Eles sequer omitem ou disfarçam: fazem questão de deixar claro que mandam e desmandam. Para dar a resposta a Bolsonaro, fizeram questão de mostrar, em menos de 24h, que quem estava no controle era Moro.

Esse episódio apenas confirma que o problema de Moro com Bolsonaro nunca foi que o presidente queria mandar na PF para seus propósitos políticos.

O problema é que Moro queria ter exclusividade nesses desmandos.

Moro prevaricou e isso está evidente pelo conjunto das circunstâncias.

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Liana Cirne Lins

Advogada. Doutora em Direito Público, mestra em Instituições Jurídico-Políticas e professora da Faculdade de Direito da UFPE. Mãe e feminista. É colunista da Revista Fórum.

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