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15 de novembro de 2019, 20h45

No Chile, primeira manifestação pós-acordo reúne 50 mil pessoas e sofre forte repressão policial

Enquanto puderam ocupar a praça, os manifestantes voltaram a exigir a renúncia de Sebastián Piñera e a rejeitar o acordo da noite anterior

Foto: Victor Farinelli

Direto do Chile, Especial para a Fórum

Mesmo após o acordo finalizado na noite de quinta-feira (14), entre governo e alguns setores da oposição, para a realização de um plebiscito constituinte, os chilenos foram mais uma vez às ruas para se manifestar, neste que foi o 29º dia seguido de protestos contra o sistema neoliberal.

Os manifestantes, provavelmente, não contavam com uma nova estratégia policial. Enquanto o Palácio de La Moneda recebia os políticos de todos os setores políticos para celebrar o acordo – inclusive alguns partidos da Frente Ampla, que disseram inicialmente que não participariam da negociação, mas terminaram entrando no acordo na última hora –, nas praças que costumam ser cenários dos protestos, a polícia preparou um forte operativo de repressão, com carros lançadores de jato d´água e de gás lacrimogêneo.

Na Praça da Dignidade – antiga Praça Itália, rebatizada pelos movimentos sociais durante os protestos –, cerca das 16h40, já havia pelo menos 4 veículos de dispersão, além de tropas policiais com escudos e cassetetes.

A polícia também não bloqueou o trânsito no centro de Santiago, como havia feito nas semanas anteriores, o que levou os manifestantes a montarem barricadas para isso. Eles também atacavam os veículos policiais e as tropas de choque com pedras e pedaços de ferro. Chamou muito a atenção de alguns manifestantes mais pacíficos o fato de que havia ao menos duas grandes montanhas de entulho (pedras e pedaços de ferro), que pareciam ter sido retirados de uma construção, embora não houvesse nenhuma obra ou edifício em ruínas nas proximidades.

Por volta das 17h05, um dos grupos que atacava os carros policiais conseguiu fazê-los retroceder. O centro da Praça da Dignidade foi invadido primeiro por esse grupo, com cerca de 2 mil pessoas, e em pouco mais de dez minutos, com maior retrocesso dos policiais, já havia uma pequena multidão no local.

O número total de pessoas presentes varia de acordo com os relatos. A imprensa local citava uma estimativa policial de não mais de 4 mil pessoas. O movimento Unidade Social, nascido das assembleias comunitárias organizadas nas últimas semanas, falou em 70 mil pessoas. A reportagem da Revista Fórum presente no local considera que 50 mil pessoas seria um número mais próximo da realidade.

Enquanto puderam ocupar a praça, os manifestantes voltaram a exigir a renúncia de Sebastián Piñera e a rejeitar o acordo da noite anterior. Além dos gritos já ouvidos nos grandes protestos anteriores, comparando o atual presidente com o ditador Augusto Pinochet, também se escutou um novo que dizia: “não se aceitará, não se aceitará, acordo de costas pro povo não se aceitará”.

Contudo, aquela primeira vitória contra os veículos policiais não durou muito, e por volta das 18h15, novos tanques lançadores de gases chegaram para aumentar a repressão, e conseguiram expulsar os manifestantes da praça.

A partir daí, voltou a haver um confronto entre policiais e os grupos que tentaram reagir com as pedras disponíveis nas montanhas de entulho próximas, mas a maioria dos mobilizados decidiu se refugiar em praças e avenidas contiguas. Muitos também foram embora do local.


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