O cara da casa de vidro – Lelê Teles

O gado tá indo pro brejo, tudo vermifugado, cada vez tem menos mochos no coxo daquele cercado.

“if you live in a glasshouse, don’t throw stones”

 peter tosh

O cara da casa de vidro tem uma arma como travesseiro.

O cara da cara de vidro tem medo até do vidraceiro.

A casa de vidro do cara, tá sempre com a cortina fechada, tá na cara que a paz da casa do cara é somente uma cara fachada.

Sempre com a cara fechada, cheio de nióbio e rabugem, cospe na cara dos caras no portão onde grafenos mugem.

Nem a ema vai com a cara do inquilino Zero-Zero, as garças fogem pro lago, toda vez que o disgramado surge de bermuda e chinelos.

O vidro da casa do cara a qualquer momento pode quebrar, tem cara ligando pro cara, tentando livrar a cara dos caras do amigo do lar.

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Milícia à domicílio, grita o país inteiro; “se mora numa casa de vidro, não apedreje o telhado alheio”.

O cara da casa de vidro precisa aguçar os ouvidos e ouvir a multidão a gritar.

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A casa do cara caiu, assim que Lula saiu ameaçando pra casa voltar.

Haverá no futuro um debate e, cara a cara com o seu rival, veremos como reage o necrarca da cara de pau.

A cara do cara da casa de vidro é fria e sem expressão, e a família desse indivíduo é a cara da contravenção. 

Os filhos não moram com o cara, a família tem muitas moradas, e todas muito caras: é cara essa rapaziada.

E entre esses “cem-tetos”, quem poderia imaginar, garoto mais esperto tem um palácio particular!

Tem cloro aqui na piscina, onde estátuas arrancam os cabelos, o palácio do crepúsculo se torna pra saúde um pesadelo.

Logo de cara o cara encara a cara mortífera da morte: “venha cá, minha cara, desejo-lhe boa sorte”.

Vira a cara pra vida, num ato de desdém, distribui arma e excita seu exército de homens de bens. 

O gado tá indo pro brejo, tudo vermifugado, cada vez tem menos mochos no coxo daquele cercado.

Mais de cem pedidos de impeachment, quase 400 mil mortos, acorda que a corda começa a apertar os vossos pescoços.

O cerco vai se fechando, vai se desmanchando o mito; fecham-se as janelas, a lama chega até as canelas do cara da casa de vidro.

Palavra da salvação. 

**Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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Lelê Teles

Formado pela Universidade de Brasília, Lelê Teles é jornalista, roteirista e publicitário. É roteirista do programa Estação Periferia (TV Brasil) e da série De Quebrada em Quebrada (Prodav 09). Sua novela, Lagoas, foi premiada na Primeira Bienal de Cultura da UNE. Discípulo do Mestre Cafuna, prega o cafunismo, que é um lenitivo para a midiotia e cura para os midiotas.

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