O eterno golpe de Dom Quixote e Paulo Guedes de novo na prancha – Por Cleber Lourenço

Ao ficar flagrante que os militares estavam apenas interessado nas mamatas e benesses dos carguinhos no Executivo e estatais, o centrão dobrou o preço de seus serviços como guarda-costas contra um impeachment.

Mais uma vez, na semana do aniversário do Golpe de 1964, o pânico desmedido de uma quartelada comandada pelo presidente mais incompetente e desarticulado da História desse país tomou conta das análises políticas e de militantes de esquerda.

Porém, diferentemente dos anos anteriores, Bolsonaro não vive mais num purgatório de popularidade no qual estava longe demais do impeachment e mais longe ainda da governabilidade.

Agora o jogo mudou. Além da fraqueza habitual, está próximo do impeachment, tão próximo que já estuda rifar até mesmo Paulo Guedes.

E o que fez o presidente se desesperar por um golpe e implorar por apoio irrestrito de todos ao seu redor?

O orçamento de 2021, que finalmente deixou à vista de todos a incapacidade do ministro da Economia em gerir o seu próprio ministério.

Ele recomendou veto parcial ao projeto aprovado, com o alerta de que o presidente Jair Bolsonaro corre o risco de um processo de impeachment (sim, dos 28 crimes de responsabilidade cometidos pelo presidente, mais uma vez é o fiscalismo brasileiro poderá derrubar o chefe do Executivo).

Embora o presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), afirme que não quer o veto e que não vê motivos para a abertura de um processo de afastamento do presidente, há sim um temor de que o orçamento se torne uma espécie de “algema” para o presidente, que precisaria se submeter ao Congresso.

Alguns deputados em Brasília afirmaram para esta coluna que o centrão não só deseja aprovar o “orçamento do impeachment”, como daria garantias de segurança ao governo, caso também rifasse o ministro Paulo Guedes – que possui um péssimo diálogo e trânsito com os parlamentares.

A submissão total e irrestrita do presidente ao centrão é resultado da escaramuça delirante do mesmo contra o generalato.

Veja também: Não demonstrou força, demonstrou fraqueza

Ao ficar flagrante que os militares estavam apenas interessado nas mamatas e benesses dos carguinhos no Executivo e estatais, o centrão dobrou o preço de seus serviços como guarda-costas contra um impeachment.

E é isso que mantém o presidente longe do impedimento. Enquanto o dano eleitoral for unicamente dele, sem refletir quem o apoie, mesmo que indiretamente, o banquete está montado para o grupo comandado por Arthur Lira.

Um governo fraco, de quem se pode tirar tudo o que quiser, ministérios, cargos comissionais, cargos de segundo e terceiro escalões, emendas parlamentares, verbas e assim por diante. A fatura fica unicamente nas costas do contribuinte e o ônus para o “seu Jair.”

A necessidade de Bolsonaro de que as pessoas próximas declarem apoio, amor e submissão para ele nas redes sociais e a realização, as ameaças de golpe, as inúmeras falas sobre “meu exército”, a perseguição contra jornalistas, críticos e artistas e a confecção de dossiês possuem um único motivo:

Bolsonaro sabe que não possui controle sobre coisa alguma. Está mais próximo de Janine Añez (golpista boliviana que acabou na cadeia) do que de Castello Branco (comandante do Golpe de 1964).

**Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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Cleber Lourenço

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