O Machado da Justiça! – Por pastor Zé Barbosa Jr

Não sei o que será dessas igrejas e movimentos religiosos, mas uma coisa é certa: Jamais seremos os mesmos! Não há comunhão entre luz e trevas, entre Cristo e Bolsonaro

Não dá mais para esconder: a igreja no Brasil está dividida. O que sempre ocorreu nos bastidores e pouca gente via, agora vem à tona com tudo. Não há mais como disfarçar que tanto a Igreja Católica quanto a Igreja Evangélica no Brasil estão divididas em si mesmas. De um lado, padres e pastores conservadores e fascistas, do outro, pastores e padres progressistas e libertários.

Há quem queira dizer que está “em cima do muro”. Pode ser. Mas é bom saber que o muro está no terreno da direita e o dono dele é o Pai da Mentira, bem familiar aos que dizem conhecer o Evangelho. Aliás, essa divisão “chegou” também aos Centros Espíritas e até mesmo aos terreiros. Sim, pasmem, há líderes e liderados de religiões de matrizes africanas conservadores e fascistas.

Uma das coisas que mais gosto em Jesus é de sua radicalidade. Radicalidade anunciada por João Batista ao anunciar o Messias que viria: “O machado já está posto à raiz das árvores, e toda árvore que não der bom fruto será cortada e lançada ao fogo.” (Mateus 3.10)

Dois fatos marcantes nos últimos dias confirmam o golpe do machado a essa raiz apodrecida: o pedido de impeachment assinado por religiosos, logo rechaçado pelas cúpulas denominacionais de batistas, presbiterianos e metodistas, e o lançamento da Campanha da Fraternidade Ecumênica 2021, com o tema ““Fraternidade e Diálogo: compromisso de amor”, atacada por vários setores e movimentos da Igreja Católica. Sim, caro leitor, falar em “fraternidade”, “diálogo” e “amor” é uma afronta para parte da, pasme, IGREJA!

Continuo defendendo a ideia de que, por um lado, é bom que o bolsonarismo traga à tona o que há de pior nas pessoas e nas instituições. Só assim isso pode ser tratado e, em último caso, expurgado. É bom que padres e pastores que sempre foram machistas, racistas, LGBTfóbicos e amantes das opressões se apresentem como tais. E é bom que a parte do “rebanho” (nunca foi tão apropriada a palavra) que com eles se identificam também “saiam do armário”. O machado feriu a raiz. Não há mais tempo para disfarces.

Não sei o que será dessas igrejas e movimentos religiosos pós-bolsonarismo, mas uma coisa é certa: Jamais seremos os mesmos! Não há comunhão entre luz e trevas, entre Cristo e Bolsonaro, entre a Igreja e esses arremedos que fazem arminhas com as mãos e pregam contra o amor. Estes não são Igreja. Nunca foram. São joio no meio do trigo e esses tempos produziram um “milagre”: a fácil distinção entre um e outro. Vivi para ver católicos sendo contra o Papa e defendendo falsos mestres e pastores vendilhões do templo.

Não dá mais (como nunca deu, na verdade) para sentar-se à mesa com Malafaias e Padres Paulos Ricardos. Eles são representantes do mal, perversos, senhores de si mesmos, abomináveis, corruptos e corruptores da fé simples do povo simples. Darão conta disso em algum momento. E quem quiser ouvi-los e segui-los que tenham a plena convicção de que abandonaram Cristo e seu Evangelho.

Sim, está posto o machado à raiz das árvores. O machado de Cristo e de Xangô. O machado da justiça e da equidade. O machado da vida! Que corta a raiz podre para que nasça uma nova árvore, frondosa e bela, que acolha em sua sombra todos os que estão cansados e oprimidos. Esta é a árvore da vida!

E ela prevalecerá!

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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Zé Barbosa Junior

Teólogo, pastor da Comunidade Cristã da Lapa, escritor, membro do Comitê Estadual de Defesa da diversidade religiosa de MG

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