Os delírios comunistas de Jesus, o Cristo – Por pastor Zé Barbosa Jr

Se houver fome e sede, que seja de igualdade de oportunidades, que seja o anseio por equidade. Mais um “delírio comunista” desse tal profeta judeu

Já tenho dito, e não é de hoje, que sou socialista e cristão e não só isso, mas que sou socialista exatamente por entender que, como cristão, não haveria nenhuma possibilidade de ser capitalista. Tanto que sempre respondo a quem me pergunta “como posso ser pastor e comunista?” que não sou eu que tenho que me explicar, mas quem consegue ser pastor e capitalista. Este sim precisa se explicar, e muito!

Porque se há um sujeito na história com “delírios comunistas”, esse alguém é Jesus, o pobre de Nazaré! Nascido entre os mais simples do povo e criado na periferia da Galileia, o jovem que depois se transformou num Rabi com muitos seguidores causava incômodo nos poderosos políticos e religiosos de sua época com seus discursos revolucionários e provocativos. Certamente seria tratado hoje como um “comunista” ou alguém com “delírios comunistas”.

Quando viu uma multidão com fome e seus discípulos vieram inquiri-lo quanto a isso, foi simples e direto: “Dai-lhes vós de comer!”. E realizou ali o seu primeiro “milagre”, o compartilhamento da comida, que muitos insistem em chamar de “multiplicação dos pães”. Não há, no texto bíblico, nenhuma referência ao fator matemático, mas uma denúncia: alguém tinha CINCO pães e DOIS peixes enquanto muitos não tinham nada. Ao repartirem, os que tinham com os que não tinham, acontece o “milagre”: todos comem e ainda sobra. Comida para todos é um baita “delírio comunista”!

No seu mais famoso discurso, o “Sermão da Montanha”, disse que felizes são os que têm fome e sede de justiça. E não pense que justiça é justiçamento. Justiça, no pensamento hebraico, é quase sinônimo de igualdade. Fome e sede de justiça é uma expressão que, em si, desmascara uma realidade sórdida: ninguém deveria ter fome ou sede. Se houver fome e sede, que seja de igualdade de oportunidades, que seja o anseio por equidade. Mais um “delírio comunista” desse tal profeta judeu, Jesus Cristo.

Mas ele extrapola mesmo em seus “delírios comunistas” ao dizer que as nações seriam julgadas por princípios como “dar de comer para quem tem fome”, “dar de beber para quem tem sede”, “acolher o estrangeiro”, “vestir os pobres”, “cuidar dos doentes” e, pasmem, “visitar e cuidar dos presos”. Sim, para esse “comunista delirante”, bandido bom não é bandido morto.

Pois é… E há quem diga que segue esse Messias apoiando o falso messias Bolsonaro. Certamente não entenderam nada do seu Evangelho e esquecem que se dizem seguidores de um ser humano que nunca ficou em cima do muro e muito menos apoiou governos genocidas e tiranos. E eu, seguidor desse Mestre que a tantos incomoda até hoje, tenho meu “delírio comunista”: ver a igreja brasileira realmente seguir o mais comunista de todos os delirantes: Jesus, o Cristo!

**Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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Zé Barbosa Junior

Teólogo, pastor da Comunidade Cristã da Lapa, escritor, membro do Comitê Estadual de Defesa da diversidade religiosa de MG