Povo na rua pelo Fora Bolsonaro – Por Raimundo Bonfim

O povo não aguenta mais tanta destruição. E a ida de quase meio milhão de pessoas às manifestações nas ruas no 29M e a ampla participação por meio das redes sociais mostram o tamanho do descontentamento com o governo Bolsonaro

As manifestações do último dia 29 de maio em todo o Brasil levaram para as ruas mais de 420 mil pessoas, em 213 cidades do país e outras 14 do exterior. Foi uma mensagem explícita para o governo de extrema direita, negacionista, ultraneoliberal, conservador e fascista de Jair Bolsonaro: não dá mais para seguir com essa política de exclusão, que promove, de todas as formas, o genocídio do povo brasileiro. Vacina já, auxílio emergencial de R$ 600 e Fora Bolsonaro foram as principais pautas dos atos deste dia grandioso e histórico de luta. As entidades dos movimentos populares e sociais das frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo e os partidos de esquerda conseguiram levar às ruas milhares de pessoas que clamaram pelo fim do governo Bolsonaro. E foi dado o recado: é possível e necessário enfrentar Bolsonaro e o fascismo nas ruas.

O governo Bolsonaro está cada vez mais isolado e sem condições políticas de conduzir o país; sentiu o impacto do grito que veio não só das ruas, mas também das redes sociais, onde também houve muito engajamento. No Twitter, por exemplo, a hashtag #29MForaBolsonaro recebeu 1.828.048 postagens e 841 mil compartilhamentos. Os números do dia 29 só comprovam o que as pesquisas de opinião já anunciavam: a grande maioria do povo brasileiro rejeita as políticas sanitária, social e econômica de Bolsonaro e quer já o fim de seu governo.

O Brasil vive uma das piores tragédias da sua história. Já são quase 465 mil vidas perdidas para a Covid-19 e quase 17 milhões de contaminado, além de um presidente que sabota as medidas de prevenção à doença, ao mesmo tempo em que segue com seu projeto racista, antidemocrático, fascista e autoritário de poder.

A pandemia se prolonga e, com a demora da vacinação, infelizmente temos um longo horizonte para caminhar até chegarmos à eliminação do vírus. Por isso gritamos por vacina já nas nossas manifestações. Ela é necessária e urgente para a manutenção da vida.

Além desta terrível crise sanitária, o povo enfrenta ainda o aprofundamento das crises econômica e social, especialmente as camadas empobrecidas e com trabalhos precarizados. O auxílio emergencial, outra pauta urgente levada nas manifestações do dia 29, precisa voltar ao valor de R$ 600 e seguir até o fim da pandemia, para garantir o mínimo de dignidade às pessoas em situação de vulnerabilidade social. Defender o auxílio emergencial é defender a comida no prato das famílias mais empobrecidas do nosso país.

O governo Bolsonaro promove a fome, a miséria e facilita a morte por Covid-19. O país vive um abismo social sem precedentes. São 50 milhões de pessoas sobrevivendo na pobreza, dos quais 13 milhões na extrema pobreza. As últimas pesquisas apontam que o país tem 14,7% da população desempregada, o que corresponde a 14,4 milhões de pessoas e, segundo estudo da Rede Pessan, 19 milhões passam fome no país. Esse quadro deve aumentar com a redução do auxílio emergencial e corte de recursos nas áreas socais, como no caso da educação e habitação.

Não bastassem os números negativos assustadores que o nosso país registra, convivemos com um governo que promove uma política negacionista, que estimula aglomerações, desrespeita os protocolos de prevenção ao coronavírus e, ainda mais grave: intencionalmente provoca a morosidade para a aquisição dos imunizantes. O governo de Bolsonaro é o governo da morte. E é o povo preto e pobre das periferias que mais sofre com o desemprego e que morre nos hospitais nas filas de espera por um leito ou como vítima da política de extermínio do Estado, como observamos recentemente na chacina do Jacarezinho, no Rio de Janeiro.

O povo não aguenta mais tanta destruição. E a ida de quase meio milhão de pessoas às manifestações nas ruas no 29M e a ampla participação por meio das redes sociais mostram o tamanho do descontentamento com o governo Bolsonaro. É preciso que as instituições ouçam o recado do povo brasileiro. O Senado tem a responsabilidade de dar sequência às investigações da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, com indiciamento dos responsáveis pelas milhares de mortes no país. A Câmara dos Deputados deve dar resposta aos 120 pedidos de impeachment que aguardam análise de seu presidente. Os crimes de Bolsonaro, em especial os que atentam contra a vida, são fortes o suficiente para tirá-lo do poder. Não vamos sair das crises sanitária, econômica e social com o projeto de exclusão da classe trabalhadora em curso. A única medida eficaz para combater essas crises é com a derrubada de Bolsonaro e todo seu governo.

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A manifestação do 29M foi estrondosa, épica. Foi uma vitória daqueles e daquelas que estavam só esperando às direções das frentes, movimentos populares e partidos de esquerda convocarem para a luta política.

O povo foi às ruas e de forma massiva e organizada demonstrou toda sua indignação contra um governo genocida e fascista. Foi um dia histórico em que o povo enfrentou o medo de se contaminar com o vírus e soltou o grito: Fora Bolsonaro e vacina já!

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P.S.: Os movimentos sociais deliberaram por novas manifestações contra o governo Bolsonaro, que devem ocorrer no próximo dia 19/06.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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Raimundo Bonfim

Raimundo Bonfim é advogado, coordenador nacional da Central de Movimentos Populares (CMP) e membro da coordenação nacional da Frente Brasil Popular (FBP). Iniciou a militância nos movimentos populares em 1986, na Favela Heliópolis, a maior de São Paulo

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