Raimundo Bonfim

03 de abril de 2019, 06h00

Prioridades são combater desmonte da Previdência e libertar Lula

Raimundo Bonfim alerta que os objetivos só serão alcançados com muita mobilização e pressão social das ruas

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

A Frente Brasil Popular, um espaço que congrega cerca de 100 entidades do movimento social e partidos políticos da esquerda brasileira, realizou a sua Conferência Nacional, nos dias 30 e 31 de março, na Escola Nacional Florestan Fernandes, em Guararema, interior de São Paulo.

Participaram aproximadamente 300 militantes de várias entidades nacionais de 26 estados da federação. O evento apontou que o sistema capitalista passa por uma crise brutal de âmbito internacional.

A partir desta crise, o capital busca novas formas de exploração em vários países, inclusive entrando em choque, ou seja, fica incompatível com a democracia, tamanha é a necessidade de o capitalismo retomar ou manter suas taxas de lucro, avançar sobre os recursos naturais, o patrimônio público e os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras.

A crise do capital também gera conflitos e multipolaridade global no sistema das nações, pois o imperialismo reage buscando reafirmar sua hegemonia por intermédio das suas mais variadas formas de ataque à democracia, aos direitos sociais. Isto acontece, em especial, na América Latina, que tem sido um terreno no qual há um forte crescimento da direita.

Em nosso país, então, temos o governo Bolsonaro, que deriva deste conservadorismo, da busca de hegemonia do capital. Não é à toa que a principal agenda do governo Bolsonaro no momento é o desmonte da Previdência pública, atacando os direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras, principalmente na mudança de regime para o sistema de capitalização, com o objetivo claro de beneficiar grandes bancos, ou seja, o capital financeiro.

A reforma deste governo é uma proposta que acaba com o direito à aposentadoria. Desarticula e desestrutura totalmente a seguridade social, se transformando em um ataque brutal à classe trabalhadora, em especial aos trabalhadores rurais, idosos, mulheres, povo negro e juventude.

A conferência apontou, ainda, na direção de reforçar a organização de base, investir na formação política e apostar tudo na mobilização social para enfrentar este momento. Indicou, inclusive, a necessidade da construção de uma greve geral contra o desmonte da Previdência, inclusive, dialogando fora das centrais sindicais.

Isto requer um esforço grande do conjunto dos partidos políticos, das centrais sindicais e do movimento social. A conferência propôs várias ações de articulação, de mobilização e de enfrentamento ao atual momento de crise no país. Mas cabe destacar duas questões fundamentais.

A primeira é a centralidade na luta contra o projeto de desmonte da reforma da Previdência. A segunda é a luta pela democracia e dentro disto, impulsionar a construção da campanha “Lula Livre”, pois ele é o símbolo da perseguição feita pela extrema direita, pelas forças do capital.

A conferência ratificou que nossas duas bandeiras centrais sejam estas. É o que deve nortear toda e qualquer luta do movimento social brasileiro no ano de 2019.

Dentro destes dois pontos deliberamos que vamos priorizar as mobilizações em torno da “Jornada Lula Livre”, que vai ocorrer de 7 a 10 de abril.

No dia 7 completa-se um ano de prisão injusta, sem crime e sem prova do ex-presidente Lula. O Comitê Nacional Lula Livre e a Frente Brasil Popular deliberaram como prioridade jogar todo o peso na jornada, no entendimento de que a justiça não vai libertar Lula sem mobilização, sem pressão social das ruas.

Aliás, a nossa tarefa é pressionar para mostrar à sociedade a inconstitucionalidade da prisão sem o trânsito em julgado, porque, no caso, não se trata somente do ex-presidente, mas de milhares de pessoas, principalmente negros e pobres, que hoje se encontram encarcerados em prisões, que mais parecem um campo de concentração, sem o julgamento definitivo.

Programação

A Central de Movimentos Populares fará a reunião de sua direção nacional em Curitiba, nos dias 5 e 6 de abril. No dia 6, à noite, várias caravanas, saindo de inúmeros estados, irão rumo a Curitiba para participar do grande ato no dia 7, em frente à superintendência da Polícia Federal, onde se encontra encarcerado o ex-presidente Lula. Nos dias 8 e 9 ficaremos em Curitiba para a grande plenária compondo a jornada.

Neste momento, nossas atenções estão voltadas para intensificarmos a campanha por “Lula Livre”. Além disso, vamos articular a luta para preparar um grande 1º de Maio, com todas as centrais sindicais, movimentos sociais e partidos políticos, tendo a luta em defesa da aposentadoria, contra o desmonte da Previdência pública como pontos principais e acumulando forças para construímos uma greve geral.

Portanto, foi muito importante a conferência da Frente Brasil Popular, em um momento político bastante conturbado no nosso país, mas também com muita disposição de unidade, de luta, reafirmando que só impediremos a destruição da Previdência pública e o fim da aposentadoria com muita mobilização, assim como também só libertaremos o ex-presidente Lula com muita pressão, muita mobilização de amplos setores dos trabalhadores e das trabalhadoras do nosso país.

É importante reforçar que no dia 7 haverá mobilizações em várias cidades brasileiras por todo o país. Mas os dois atos de caráter nacional serão o de Curitiba, na parte da manhã, e em São Paulo, à tarde, com concentração na Praça do Ciclista, na Avenida Paulista, onde haverá várias intervenções culturais.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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