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06 de junho de 2019, 06h00

Protestos esperam Bolsonaro na Argentina; visita visa agradar mercado e dar “vida extra” a Macri

Na Argentina de Macri, até então dito “presidente ideal” para os objetivos do mercado, a vida não parece ir tão bem. No Brasil de Bolsonaro, propagado como o presidente a colocar ordem no país, a vida também não parece ir muito bem

Cartaz utilizado para convocar os protestos contra Bolsonaro na Argentina (Reprodução)

Com um número de 12 milhões de pessoas em situação de pobreza crescente (aproximadamente 30% do total), com uma inflação anual em alta (acima de 40%), com uma desvalorização da moeda e com um desemprego formal que resiste na faixa de 9%, o presidente Mauricio Macri acaba de ser arrebatado por uma grande greve geral que paralisou a Argentina.

Já no Brasil estagnado, os índices dos 5 meses de governo Bolsonaro também são complicados e já mostraram as dificuldades que o governo tem para restabelecimento da atividade econômica do país.

Para além dos discursos, ambos os mandatários trazem desconfiança para o mercado e para os trabalhadores. As pesquisas de opinião mostram um Macri desidratado, com dificuldades para competir eleitoralmente com Cristina Kirchner ou qualquer um que ela venha a apoiar. Da mesma forma que a lua de mel de Bolsonaro parece ter acabado mais rápido do que qualquer analista político poderia prever, perdendo apoio em todas faixas etárias, sexos, regiões e classes sociais.

A visita, a entrevista e os protestos

Nesta quinta-feira (6) os dois presidentes buscarão traçar iniciativas para impressionar o público e recuperar a confiança do mercado. Entretanto, parece que isso não será tão fácil, já havendo protestos marcados por movimentos sociais na Praça de Maio, centro de Buenos Aires, contra a visita de Bolsonaro.

Não bastasse o contexto conflitivo, Bolsonaro deu mais uma de suas entrevistas polêmicas para o jornal La Nación, inclusive quebrando o protocolo ao se intrometer na política interna argentina.

Criticando a oposição e defendendo Macri, inclusive fazendo referências ao processo eleitoral por vir, Bolsonaro fez ataques diretos e nominais a Cristina Kirchner, associando seu governo à Venezuela, Cuba e corrupção, como é de costume, e, inclusive, apesar da crise, pedindo paciência do povo argentino com Macri.

A expectativa sobre a visita, para além dos protestos, é de que sejam tomadas medidas para ações bilaterais no âmbito do Mercosul e também sobre o tema da Venezuela. Sobre questões bilaterais, os indícios sinalizam acordos pontuais na área energética e de biocombustíveis.

Mercosul “enxuto” e o ALC com a UE

Após declarações desastradas de Paulo Guedes depois da eleição, Macri foi o primeiro chefe de Estado e governo a visitar o Brasil oficialmente para acordos bilaterais. Naquele momento, ambos falavam de um Mercosul “enxuto”, que resgatasse os princípios da fundação (Tratado de Assunção, 1991) do bloco, tomando medidas para flexibilizar tarifas e diminuir a burocracia entre os membros.

No âmbito do Mercosul, que terá sua reunião em Santa Fé, estão em debate possíveis acordos com o Nafta, o Canadá e a Coreia do Sul. Mas, o foco deve ser algum discurso que anteceda um possível acordo de livre comércio entre o bloco e a União Europeia, em tratativas há mais de duas décadas. Segundo o ministro da Economia, Paulo Guedes, o acordo pode estar a um mês da assinatura.

A partir da assinatura de um acordo de cooperação entre os blocos (assinado em 22/3/1999), foram iniciadas as negociações que estiveram paralisadas entre 2004-2010. Em 2016, em um contexto turbulento (pós-impeachment), foram retomadas as negociações entre os blocos de forma expressiva – mas insuficientes para a conclusão de um acordo final.

O Acordo de Livre Comércio (ALC) entre o Mercosul e a União Europeia não avançou, principalmente, por desarcordos e polêmicas em três níveis: concepções de governança; de regras de comércio; e o diálogo social. Em especial, na área ambiental e trabalhista.

A ausência, o descompasso ou inadequação de mecanismos de controles e ações dos Estados Nacionais nessas áreas prevêem uma trágica situação de desenvolvimento desequilibrado entre as economias dos dois blocos, e prejuízos principalmente ao meio ambiente e aos trabalhadores.

 


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