Fórumcast #20
16 de julho de 2019, 22h16

Trump usa o racismo como tática eleitoral

Enquanto o Hashtag #racistpresident explodia no Twitter, o mandatário se aproveitava, valendo-se de uma estratégia que tem usado diariamente

Foto: Reprodução

O polêmico presidente norte-americano Donald Trump envolveu-se em mais um episódio polêmico em que foi acusado de ser racista. No último domingo (14) o mandatário publicou no Twitter uma declaração controversa sobre parlamentares democratas, indicando que elas deveriam retornar aos respectivos países de origem, fato que rapidamente gerou grande revolta na internet e nos meios de comunicação.

A declaração de Trump dizia: “…É tão interessante ver as democratas ‘progressistas’ do Congresso, que vieram originalmente de países cujos governos são uma catástrofe total e completa, os piores, mais corruptos e ineptos em qualquer lugar do mundo (se é que eles têm um governo em funcionamento), agora em voz alta e cruelmente dizendo ao povo dos Estados Unidos, a maior e mais poderosa nação da Terra, como nosso governo deve ser administrado. Por que elas não voltam e ajudam a consertar os lugares totalmente quebrados e infestados de crime de onde vieram?”.

Essa declaração gerou a indignação de muitos e, apesar de ter citado a atual presidente da Câmara, a experiente democrata Nancy Pelosi, filha de imigrantes italianos, a mensagem foi associada ao chamado “novo esquadrão”, formado por quatro novas deputadas democratas: Alexandra Ocasio Cortez (filha de mãe porto-riquenha); Rashida Tlaib (de origem palestina); Ayanna Pressley Mass (primeira afro-americana eleita por Massachusetts) e Ilhan Omar (primeira negra muçulmana eleita para a Câmara, nascida na Somália, ex-refugiada).

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A indignação foi tão grande que mais de 80 deputados estão apoiando o pedido formal de impeachment de Trump, que pode ser encaminhado ainda antes de agosto, quando a Câmara entrará em recesso parlamentar. Entretanto, apesar da condenação veemente sobre as palavras de Trump por parte de Nancy Pelosi, a própria presidente democrata da Câmara não tem apoiado tal iniciativa por acreditar ser algo extremamente divisionista e sem qualquer possibilidade de apoio no Senado pela presidência republicana naquela Casa. Neste sentido, o Mother Jones destacou a contradição entre o “novo esquadrão” e Pelosi, enfatizando a divisão interna dos democratas e o medo dos velhos quadros com a chegada de novos personagens, alguns com agendas mais à esquerda.

Muitos democratas, personalidades, meios de comunicações e também alguns republicanos se pronunciaram contra a declaração de Trump. Michael Turner, deputado do partido de Trump, disse que o tweet do presidente foi “racista e deveria desculpar-se”. Will Hurd, o único deputado negro dos republicanos, também classificou a postagem como racista e xenófoba, declarando: “…as quatro mulheres que ele se refere são cidadãs dos EUA, três delas foram nascidas aqui.”. As críticas ultrapassam até as fronteiras dos EUA e encontraram eco entre aliados internacionais de Trump, como a primeira-ministra britânica, Theresa May, que disse ser uma fala “inaceitável”.

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Para além do lamentável tweet e do recorrente comportamento do mandatário sobre imigração, questões étnicas e raciais, visto desde o início do seu governo, os analistas percebem que essa é uma postura de campanha e que Donald tem falado para seu público de forma premeditada. O site Counter Punch citou como Trump exerce o “medo” sobre seus eleitores, a classe trabalhadora branca; o American Prospect destacou a campanha para reeleição “baseada na questão racial”; o The New York Times também apresentou textos opinativos com a mesma linha, enfatizando que a “América de Trump é um país de homens brancos”.

Com 327 milhões de pessoas e uma demografia em transição, onde 25% não-brancos caucasianos crescem a cada dia, a imigração e as questões étnicos-raciais continuam sendo um tema quente no meio político do país, ainda mais durante um período de pré-campanha, em que os partidos se preparam para suas prévias. Apesar de ter uma vasta vantagem em seu partido, Trump aparece em desvantagem em várias pesquisas de opinião, quando confrontado por seus principais opositores democratas (Joe Biden, Elizabeth Warren, Bernie Sanders, Kamala Harris). Estaria aí uma possível razão para tantas provocações?

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Entre tantas polêmicas, Trump ainda retrucou em novos tweets provocativos o chamado esquadrão e o Partido Democrata em geral: “Quando as mulheres da Esquerda Radical pedirão desculpas ao nosso país, ao povo de Israel e até ao Gabinete do Presidente…”, “Nós nunca seremos um país socialista ou comunista. SE VOCÊ NÃO ESTÁ FELIZ AQUI, PODE SAIR!”.

“Os democratas tentavam se distanciar das quatro ‘progressistas’, mas agora eles são forçados a abraçá-las. Isso significa que eles estão endossando o socialismo, o ódio a Israel e aos EUA! Não é bom para os democratas!”, escreveu o presidente. “Vejo vocês em 2020!”, disparou.


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