Raphael Silva Fagundes

18 de março de 2019, 22h57

Um general idiota, jornalistas drogados e um “filósofo” que não estudou

Em novo artigo, Raphael Fagundes diz: “Essa briguinha idiota entre as instituições que manipulam os bastidores da política é mero teatro para forjar uma certa independência do governo em relação aos grupos que controlam o país”

Foto: Reprodução/Arquivo

A briga interna entre os membros reacionários que se apoderaram da República chega ser bizarra. O guru do governo declara ódio e repúdio ao que possibilitou a chegada de Bolsonaro ao poder: a mídia e as Forças Armadas.

Primeiramente, cabe lembrar que a mídia foi um pivô na vitória no capitão aposentado. Ao desenvolver o antipetismo na população e pressionar para que a prisão de Lula fosse efetuada, ela abriu para o crescimento do bolsonarismo, que tem como principal meta o ódio ao PT.

Além disso, ao ver o crescimento de Bolsonaro e não comentar, fazendo vista grossa, deu a ele mais força e, quando percebeu que o político era o único capaz de tocar o projeto de Temer, viu que poderia amá-lo nos corredores da política, prostituindo-se em nome das privatizações e da Reforma da Previdência. A Globo difama a imagem da prostituta, pois não transa só por dinheiro, mas por interesses escusos.

O outro inimigo do guru é Mourão. Contudo, o exército também foi uma outra peça-chave na escalada política de Bolsonaro ao Palácio da Alvorada. Eles articularam o golpe e quem não lembra da declaração de Villas Boas às vésperas da condenação de Lula?

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Olavo de Carvalho, por ser um ignorante político (ou fingindo ser), não tem ideia de que as duas instituições foram chave para se instalar o governo de direita que ele tanto venera. Lógico que tivemos outros setores, como o empresarial e a igreja protestante, mas, sem dúvida, o Exército e a mídia foram a chave para encastelar essa política fascista draconiana.

Mas a gente se diverte vendo toda essa bizarrice. Ver Carvalho dizer que Bolsonaro está cercado por um bando de milico cagão, não tem preço. Como é maravilhoso ver o guru dizendo que “Os jornalistas brasileiros são, a maioria, viciados em drogas”.

Aí vem a CBN e diz que Olavo de Carvalho “abandonou a escola e nunca concluiu nenhum curso”. Mourão, por sua vez, rebate: “Quem se importa com as opiniões do Olavo?”

Conduzido por um fanatismo reacionário, o guru ideológico do governo faz parecer que Bolsonaro não precisou dessas forças políticas para vencer as eleições. Contudo, os eleitores de Bolsonaro devem agradecer ao conglomerado midiático e às Forças Armadas, pois sem estes dois grupos, a base ideológica que os alienou não teria forças para vingar.

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Caso as Forças Armadas e a Rede Globo fossem petistas, seria impossível a vitória da extrema direita. É como na Venezuela, onde a maior parte do Exército apoia Maduro e os meios de comunicação governamentais possuem grande influência popular.

Essa briguinha idiota entre as instituições que manipulam os bastidores da política é mero teatro para forjar uma certa independência do governo em relação aos grupos que controlam o país e, também, para forjar uma crítica falsa da mídia aos setores conservadores, enquanto o povo vai tendo seus direitos destituídos e suas riquezas sendo vendidas.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.


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