Militante do MTST que fez e pagou camarão chama Eduardo Bolsonaro de mau-caráter

Filho de Bolsonaro, que está passeando com o pai em Dubai, publicou foto incitando ódio nas rede contra o ator Wagner Moura por comer camarão em ocupação

Wagner Moura em festa no MTST. Foto: Reprodução
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A militante do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Bia Soulz, que forneceu gratuitamente a refeição que foi servida na última quinta-feira (11), durante exibição do filme “Marighella” em uma ocupação na Zona Leste de São Paulo, chamou o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) de mau-caráter após ele ter incitado as redes contra o ator Wagner Moura por comer camarão.

“Fiz esse acarajé e levei voluntariamente como militante do MTST, paguei mais barato no kg do camarão que no kg da carne, e cozinhei utilizando um botijão de gás que paguei 110 reais, paguei quase 7 reais no litro da gasolina pra chegar na ocupação... mau-caráter”, escreveu Bia.

https://twitter.com/BiaSoulz/status/1459441162390016000

O MTST), através de seu perfil oficial no Twitter, também rebateu as críticas de bolsonaristas.

Pela manhã, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, que está ostentando luxo com seu pai, Jair Bolsonaro, em Dubai, nos Emirados Árabes, sugeriu que o movimento social seria uma fachada pois, para ele, camarão é um tipo de comida reservado à elite.

“Retrato do comunismo, socialismo, progressismo ou seja lá como queira se chamar essa fantasia que apenas promoveu o genocídio por onde passou. Enquanto a elite come camarão, a massa fica no esgoto. Não é a toa que em 13 anos de PT o MTST apenas cresceu (SIC)”, escreveu o filho do presidente, abrindo uma porteira de ataques a Guilherme Boulos, líder do MTST, ao próprio movimento social e a Wagner Moura.

O MTST, então, além de agradecer à empresa que forneceu a comida que foi servida durante a exibição do filme “Marighella”, rebateu os bolsonaristas. “Nosso rolê é socializar comida e moradia pra todos. Camarão tb. Quem gosta de ver pobre roendo osso é o Bolsonaro”, diz a postagem, mencionando ainda as marchas contra a fome que estão sendo encampadas pelo movimento em todo o país neste sábado (13)

Origem africana

Eduardo Bolsonaro ficou indignado que havia camarões no prato de Moura. A iguaria, para ele, é uma exclusividade dele, seus amigos e apaniguados. Em seu surto de ódio, o sheik da cafonice mal teve tempo para se dar conta que o acarajé tem origem africana, foi trazido para cá pelo povo Iorubá escravizado e conquistou o Brasil e o mundo.

Esqueceu também que tudo o que é servido em ocupações e eventos do MTST é financiado por doações e recursos próprios e não com dinheiro público, ao contrário das faustas viagens presidenciais.

Filme nacional mais assistido

De acordo com o Filme B, considerado o maior portal especializado no mercado de cinema do Brasil, “Marighella”, de Wagner Moura, que estreou há uma semana, já é o filme brasileiro mais assistido de 2021. O longa, que conta a história do guerrilheiro Carlos Marighella (1911-1969), que lutou contra a ditadura militar no Brasil na década de 70, teve 36,7 mil espectadores em seus quatro primeiros dias de exibição.