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25 de março de 2020, 20h55

Após pronunciamento, Bolsonaro tem três vezes mais gente atacando do que defesas no Twitter

Levantamento da Bites analisou postagens na rede social após o pronunciamento do presidente sobre o coronavírus: bolsonaristas na ofensiva e oposição se fortalece

Por André Eler e Polliana Cavalcanti, da Equipe Análise Bites

O pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro ontem à noite criou uma onda de euforia entre os seus seguidores. Hoje, logo cedo, eles já estavam numa ofensiva junto à opinião pública digital para defendê-lo e incentivar de alguma forma, se possível, o debate sobre quarentena vertical, quando apenas os grupos de risco são isolados diante da pandemia do Covid19.

A hashtag #Bolsonarotemrazao já havia alcançado 360 mil posts no Twitter até às 12h e figurava nos TTs do Brasil e do mundo. Mesmo assim, a oposição demonstra vitalidade e força no universo digital. Confronto semelhante ao que aconteceu na eleição de 2018 com o agravante que os oposicionistas ainda não encontraram um líder de amplitude digital e eleitoral capaz de guiá-los e concentrar a insatisfação com Bolsonaro.

Até às 12h de hoje, a estratégia bolsonarista de negar recomendações da OMS e do Ministério da Saúde estava influenciando as buscas no Google Brasil para a isolamento e quarentena vertical. Nas últimas quatro horas, as consultas em torno dos temas cresceram em todos estados do País.

Na escala de 0 a 100, na qual 100 é o maior interesse, a média do período ficou em 53 e oito estados ficaram acima desse patamar. O maior interesse foi registrado no Distrito Federal (100) seguido do Rio de Janeiro (74), Ceará (66), Paraíba e Mato Grosso do Sul (57).

De ontem, às 19h, quando havia apenas expectativa sobre o pronunciamento de Bolsonaro, até hoje, às 10h30, foram 3,39 milhões de menções no Twitter, produzidas por 1,53 milhão de usuários únicos. E depois de dias sendo atacado e criticado, diminuindo e perdendo a guerra das redes sociais, a militância bolsonarista voltou a se organizar. Mas não é suficiente, ainda, para retomar o controle da narrativa em ambientes digitais.

Foram 427 mil tweets usando as hashtags de apoio ao presidente, nas últimas 12 horas, publicadas 103 mil perfis únicos, o que significa que a militância está aguerrida e empolgada pelo discurso do presidente, com muitas mensagens a favor de Bolsonaro.

Do outro lado, foram, porém, 532 mil mensagens, e produzidas por 293 mil usuários. Isso indica que a quantidade de gente atacando Bolsonaro no Twitter já é quase três vezes maior que o volume de defensores, embora o número de mensagens não seja assim tão descolado. Ontem a oposição a Bolsonaro se firmou como nunca antes desde o início da crise, e o único dia que teve volume parecido de ataques a ele foi o dia 18 de março. 

ATENÇÃO TOTAL
Com o pronunciamento de ontem, o presidente Jair Bolsonaro conseguiu atrair a atenção sobre ele de um jeito que ainda não havia acontecido desde o início da crise do Covid-19 no Brasil. Foi o maior pico de menções a Bolsonaro no Twitter desde o dia 26 de fevereiro, quando o primeiro caso da doença foi confirmado em São Paulo. De lá para cá, foram publicadas 25,2 milhões de mensagens sobre Bolsonaro, panelaços ou hashtags a favor e contra o presidente, produzidas por 7,38 milhões de usuários únicos, uma média de 934 mil menções por dia. 

RECORDE NO YOUTUBE
Nos seus perfis oficiais no Twitter, Facebook, Instagram e Youtube, o presidente se manteve no patamar dos dias anteriores. Nas últimas 24 horas, a taxa de interações por post ficou 28,6% superior das últimas 48 horas. O presidente também ampliou a sua base de seguidores com o acréscimo de 58.643 até ÀS 11h30. 

O vídeo no Instagram com o seu pronunciamento chegou até agora em 4,1 milhões de visualizações e o mesmo conteúdo reproduzido no canal do Youtube da TV Brasil. Lá, o vídeo alcançou 3,8 milhões, o maior volume entre os 52.524 arquivos disponíveis da emissora nessa rede social.

EDUARDO VERSUS SÂMIA
Na Câmara dos Deputados, os parlamentares contrários ao presidente estão em vantagem diante dos bolsonaristas. Desde o pronunciamento, os críticos produziram 682 posts em suas redes sociais e alcançaram 763 mil interações. Os aliados do presidente até às 11h30 ainda estavam bem atrás com 61 publicações e 328 interações. A grande disputa estava acontecendo entre Sâmia Bomfim do PSOL que conseguiu 202 mil interações em seus posts e Eduardo Bolsonaro com 111 mil interações. 

LÁ FORA
As posições do presidente Bolsonaro também chamam atenção do exterior. O presidente do Grupo Eurasia, o cientista político Ian Bremmer, está fazendo seguidos comentários em seus perfis sobre as teses bolsonaristas.

Ele é um formador de opinião da elite econômica global, especialmente no mercado financeiro e fundos de investimento. Um dos seus últimos tweets trouxe a seguinte mensagem: “I hope everyone in Brazil is at least social distancing from Bolsonaro.” 

Nas últimas 12 horas, Bolsonaro foi alvo de 633 artigos em sites de notícia no mundo. No Brasil foram 2.450 publicações. 

A REPERCUSSÃO NAS CIDADES 
A guerra virtual parece ainda não impactar a vida real, segundo dados mapeados pelo Sistema Analítico BITES. Apesar da recomendação do presidente, não há grandes indícios de impacto no fluxo de pessoas nas ruas das grandes cidades, especialmente São Paulo sob quarentena.

A busca pela manhã por transporte público no Google apresentou o menor interesse dos últimos 7 dias, ficando ainda mais baixo do que no domingo.

As exceções foram os estados de Amapá, Paraná e Santa Catarina, os dois últimos estavam entre os estados que apresentaram maior vantagem para Jair Bolsonaro durante o 2º turno das eleições.
Dados de qualidade do ar da Marginal Tietê, segundo a CETESB, mostram que hoje foi o dia de menor poluição de partículas do mês, superando até mesmo finais de semana.


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